
NME.
A cantora e compositora britânica Paris Paloma usou seu show no Bilbao BBK Live 2026, realizado na quinta-feira (9 de julho), para fazer uma declaração contundente contra a inteligência artificial. Subindo ao palco San Miguel no primeiro dia do festival, que celebra 20 anos, a artista indie-folk pediu ao público que rejeitasse a IA e valorizasse o trabalho humano.
Antes de tocar o single recente ‘Miyazaki’, faixa que homenageia o diretor do Studio Ghibli, Hayao Miyazaki, Paris Paloma fez um discurso direto: “Esta próxima música escrevi sobre o quanto valorizo artistas humanos e o quanto odeio arte feita por IA. Se você valoriza a arte e quer apoiar artistas, não use a porcaria da IA, porque ela é uma droga”, declarou, arrancando aplausos da plateia.
Mais cedo, durante o mesmo show, a cantora também criticou figuras públicas associadas à chamada ‘manosfera’ — rede de influenciadores misóginos. Antes de interpretar ‘Good Boy’, single do ano passado, ela citou nominalmente “Elon Musk, Andrew Tate e todos esses outros perdedores”. A música abre com uma frase da atriz Emma Thompson: “Eu sabia que um dia teria que ver homens poderosos queimarem o mundo / Só não esperava que fossem tão perdedores”.
A postura de Paris Paloma contra a IA não é isolada. A cantora, que ganhou destaque com o hit viral ‘Labour’ (do álbum de estreia ‘Cacophony’, de 2024), tem se posicionado publicamente em defesa dos direitos das mulheres e da arte humana. No início deste ano, ela anunciou que doará £1 de cada ingresso vendido para sua próxima turnê à Plan International UK, organização que luta pelos direitos de meninas ao redor do mundo.
A turnê, que ocorrerá entre novembro e dezembro, promove o segundo álbum da artista, ‘The Fatal Flaw’, com lançamento previsto para 4 de setembro. Em comunicado, Paris Paloma destacou a importância do trabalho da ONG: “Eles fazem um trabalho imensamente importante para meninas em todo o mundo, incluindo o combate à pobreza menstrual, ao casamento infantil e a luta para manter as meninas na escola. O objetivo de manter as meninas seguras e educadas é uma causa muito importante para mim”.
Em entrevista ao NME, a cantora explicou sua visão sobre a música como espaço de acolhimento emocional: “Quero que minha música seja uma esfera protetora onde se possa sentir qualquer emoção que precise ser sentida. Se estão ouvindo algo como ‘Labour’ e é algo tão raivoso, quero que sintam que sua raiva é válida. Se é outra coisa, quero que se sintam confortados; se os faz chorar, quero que se sintam amparados enquanto isso acontece”.
O Bilbao BBK Live 2026 começou na quinta-feira com apresentações de FKA Twigs e David Byrne, e segue até sábado (11 de julho) com shows de Robbie Williams, CMAT, Lily Allen, IDLES e muitos outros. Paris Paloma se apresentou no palco San Miguel, um dos principais do festival.
A turnê de ‘The Fatal Flaw’ passará por 13 cidades do Reino Unido e Europa. As datas incluem: 11 de novembro em Birmingham (O2 Academy), 13 em Bristol (Beacon), 14 em Cardiff (Great Hall), 15 em Manchester (O2 Apollo), 17 em Londres (O2 Brixton Academy), 24 em Glasgow (O2 Academy), 25 em Dublin (The National Stadium), 27 em Paris (Bataclan), 29 em Bruxelas (La Madeleine), 30 em Utrecht (TivoliVredenburg); em dezembro: 1 em Amsterdã (Paradiso), 3 em Munique (Backstage Werk), 6 em Frankfurt (Zoom), 8 em Berlim (Astra Kulturhaus), 10 em Copenhague (Amager Bio), 12 em Estocolmo (Fryshuset Arenan) e 13 em Oslo (Rockefeller).
A declaração de Paris Paloma no festival reforça o debate sobre o impacto da inteligência artificial na indústria criativa, posicionando a artista ao lado de outros músicos que têm se manifestado contra o uso não autorizado de obras para treinar algoritmos. Com seu discurso direto e engajamento social, a cantora consolida uma imagem de defesa intransigente da arte feita por humanos.
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Fonte: NME.
NME.
2026-07-10 06:51:00
