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O senador republicano Lindsey Graham, da Carolina do Sul, morreu aos 71 anos, deixando para trás uma das transformações políticas mais surpreendentes da história recente dos Estados Unidos. Graham, que em 2016 chamava a candidatura de Donald Trump de ‘um tiro na cabeça’ e previa a destruição do Partido Republicano caso ele fosse indicado, tornou-se, nos últimos anos, um dos mais fiéis escudeiros do presidente na Casa Branca.
A notícia da morte, ocorrida de forma súbita, pegou Trump de surpresa. Em entrevista ao programa ‘Meet the Press’, da NBC, o presidente revelou que conversara com Graham na noite anterior e que aquela poderia ter sido a última ligação do senador. ‘Não sei exatamente, mas recebi uma mensagem por volta da 1h da manhã de alguém do escritório dele dizendo que ele havia falecido. Eu disse: ‘Não consigo acreditar”, relatou Trump. ‘Ele era como um membro da família para mim. É muito difícil, na verdade.’
A relação, no entanto, começou de forma hostil. Durante a campanha republicana de 2016, Graham, que também disputava a indicação, não poupou críticas a Trump. Em uma postagem no X (antigo Twitter), escreveu: ‘Se indicarmos Trump, seremos destruídos… e mereceremos isso.’ Trump, por sua vez, chamou Graham de ‘desgraça’ e ‘um dos seres humanos mais burros que já vi’, em um comício na Carolina do Sul. Chegou a afirmar que o senador ‘não conseguiria se eleger nem para pegador de cães’ no próprio estado.
A virada começou depois que Trump venceu a eleição e assumiu a presidência. Aos poucos, as farpas deram lugar a partidas de golfe e a uma aliança política sólida. Graham tornou-se uma ponte entre o Senado e a Casa Branca durante o segundo mandato de Trump, mesmo tendo, em janeiro de 2021, se afastado do presidente após a invasão do Capitólio. Na ocasião, discursou no plenário: ‘Trump e eu tivemos uma jornada infernal. Odeio que termine assim. Meu Deus, como odeio. Do meu ponto de vista, ele foi um presidente consequente. Tudo o que posso dizer é: podem me excluir. Chega.’
Mas a ruptura não durou. No segundo mandato, Graham voltou a ser um dos principais defensores de Trump no Congresso. Como presidente do Comitê de Orçamento do Senado, liderou a articulação do chamado ‘one big beautiful bill’ (um grande e belo projeto) e foi o grande campeão da Lei SAVE America, a legislação bandeira de Trump sobre integridade eleitoral. Nos corredores do Senado, era comum ouvi-lo dizer que acabara de falar com o presidente ou que estava a caminho da Casa Branca para resolver disputas legislativas.
A proximidade chegou a um ponto em que Graham, em um discurso no mês passado, após vencer as primárias republicanas, declarou: ‘Quero agradecer ao grandalhão, Deus. Trump vem depois. Sr. Presidente, o senhor não está muito atrás de Deus, mas vamos começar com Ele.’ A reverência, fosse política ou sincera, levou anos para se consolidar. Em um episódio emblemático, Trump, irritado com Graham, vazou o número de telefone do senador na internet, levando Graham a destruir vários aparelhos em um protesto público.
Agora, com a morte de Graham, abre-se uma corrida nos bastidores para preencher sua vaga no Senado. Trump já deu sinais de que tem um favorito, mas não revelou nomes. Em sua última conversa telefônica, o presidente disse a Graham: ‘Nos vemos em breve. Venha aqui quando quiser. Ele vinha à Casa Branca porque eu gostava dele. Não posso fazer isso com todo mundo.’
A trajetória de Graham, que saiu de uma cidade pequena na Carolina do Sul para se tornar um dos políticos mais influentes do país, chega ao fim de forma abrupta. Seu legado, porém, fica marcado por uma das mais improváveis amizades da política americana — uma que começou com insultos e terminou com lágrimas e homenagens no Salão Oval.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/politics/from-disgrace-family-trumps-remarkable-journey-lindsey-graham.
Fonte: Fox News.
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2026-07-12 13:28:00


