
NME.
Manifestantes que participaram de um protesto contra a Boiler Room, em Nova York, relataram ter sido agredidos e pisoteados por frequentadores do evento. O ato ocorreu na noite de sexta-feira, 10 de julho, durante a primeira das duas noites programadas no Under The K Bridge, e foi organizado pelo grupo Boycott Room. A manifestação teve como alvo a ligação da Boiler Room com a KKR, empresa de investimentos norte-americana que controla a Superstruct Entertainment, proprietária da plataforma. A KKR é acusada de investir na fabricação de armas israelenses e em assentamentos na Cisjordânia, em meio ao conflito entre Israel e Palestina.
Os ativistas realizaram um “die-in”, protesto em que os participantes se deitam e fingem estar mortos para chamar atenção para a causa. Segundo o grupo, a ação visava mostrar que eles são “parte da recusa em ceder espaço cultural a esses mercenários de guerra”. Durante a apresentação, alguns manifestantes foram supostamente agredidos e pisoteados por outros presentes. “A rave continuou normalmente enquanto os rostos de nossos mártires eram pisoteados com indiferença”, afirmaram os organizadores, que também acusaram a Boiler Room de “colocar vidas em risco para proteger sua marca”.
Em resposta, porta-vozes da Boiler Room declararam estar “cientes das imagens” que circulam online e viram um vídeo que “parece mostrar um participante agindo contra um manifestante de uma forma que não tem lugar em nossos eventos”. A empresa afirmou respeitar “o direito ao protesto pacífico” e que o “bem-estar de todos em nossos eventos é importante para nós”. A Boiler Room disse estar “revisando o ocorrido e conversando com o local” e incentivou qualquer pessoa que tenha sido vítima de crime ou tenha informações sobre o caso a procurar a polícia.
Na segunda noite do evento em Nova York, mais protestos ocorreram, incluindo uma “contra-rave” nas proximidades. Imagens online mostram um manifestante subindo ao palco da Boiler Room e tentando interromper a apresentação, sendo removido do local.
Em 2025, quando a Boiler Room foi adquirida pela Superstruct Entertainment, a plataforma se distanciou das ações da empresa, afirmando que seus funcionários não têm “direitos de propriedade ou voto na empresa” e que “nenhum investidor, passado ou presente, jamais influenciou nosso conteúdo, e isso nunca mudará”. A reportagem entrou em contato com a Superstruct, a KKR e a Boiler Room para comentários.
A Superstruct Entertainment também opera festivais como Field Day, Mighty Hoopla, Sónar e Tramlines, avaliados em aproximadamente US$ 1,3 bilhão. Desde que se associou à KKR, alguns artistas decidiram não se apresentar em festivais ligados à empresa devido aos supostos investimentos na fabricação de armas.
No ano passado, 50 artistas, incluindo Massive Attack e Brian Eno, assinaram uma carta aberta pedindo que o Field Day se distanciasse da KKR, enquanto outros 11 artistas anunciaram boicote ao festival em solidariedade à Palestina.
Vários festivais também manifestaram publicamente suas preocupações: o Tramlines disse que “nunca enviaria um único euro” à KKR, e o Mighty Hoopla declarou “clara oposição aos investimentos antiéticos da KKR”.
Fonte: NME.
NME.
2026-07-14 09:01:00
