
O ex-lateral Joan Capdevila, campeão mundial pela Espanha em 2010, teve o pedido de autorização eletrônica de viagem (Esta) negado pelo governo dos Estados Unidos. O motivo, segundo o próprio ex-jogador, foi sua participação em um amistoso em Teerã, capital do Irã, em 2016. Capdevila pretendia viajar com os filhos para Nova Jersey, onde neste domingo (19) acontece a final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina.
Em publicação na rede social X, o ex-defensor de 48 anos marcou o perfil do presidente norte-americano, Donald Trump, e pediu ajuda. Capdevila foi convidado pela Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) para assistir à decisão ao lado de outros integrantes do time campeão em 2010, como Iker Casillas, Carles Puyol, Sérgio Ramos e Xavi Hernández, que já estão nos Estados Unidos.
O ex-atleta afirmou que o veto ocorreu por conta de um amistoso festivo disputado em Teerã em 2016, quando atuou por um time de ex-jogadores da LaLiga contra um combinado de estrelas do futebol iraniano. Entre os participantes estava o ex-volante Marcos Senna, brasileiro naturalizado espanhol. Capdevila também acionou, via X, os perfis do Ministério da Educação, Formação Profissional e Esportes da Espanha e do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, mas não obteve resposta até o momento.
“Acabam de me dizer que não posso viajar à final com meus filhos porque me negaram o Esta. Alguém pode me ajudar com isto? Não sabem o quanto queria estar ali com meus companheiros de 2010 e com esta seleção para torcer. Não posso acreditar que não me permitam entrar nos Estados Unidos e que perderei um momento assim com meus filhos, que tanto amamos ao futebol. Se alguém souber como solucioná-lo, ficarei eternamente grato”, escreveu Capdevila.
De acordo com o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, quem esteve no Irã em ou após 1º de março de 2011, ou possui dupla nacionalidade com o país, torna-se inelegível para o Esta. As duas nações estão em guerra indireta, o que já havia gerado problemas para torcedores iranianos e para a própria seleção do Irã durante a Copa do Mundo.
Antes do Mundial, atletas, dirigentes e membros da comissão técnica do Irã enfrentaram dificuldades para obter vistos de entrada nos Estados Unidos, onde estavam marcados os jogos da primeira fase. A federação iraniana chegou a solicitar à Fifa que as partidas fossem transferidas para o México, também país-sede, mas o pedido foi negado. O governo norte-americano autorizou a entrada da delegação iraniana apenas um dia antes da estreia.
Após o empate por 2 a 2 com a Nova Zelândia, em Los Angeles, a agência estatal Irna revelou que a burocracia causou um atraso “injustificável” no retorno da equipe para Tijuana, no México, onde o Irã estava concentrado. O técnico Amir Ghalenoei reclamou em mais de uma ocasião que a delegação sofria “tratamento desigual” e se preparava nas “piores condições possíveis”. O atacante e capitão Medhi Taremi declarou que a Fifa e as autoridades dos Estados Unidos “fizeram de tudo” para eliminar o país o quanto antes. Invicto com três empates em um grupo que ainda tinha Egito e Bélgica, o Irã foi eliminado na primeira fase.
O caso de Capdevila reacende a polêmica sobre as restrições impostas pelos Estados Unidos a viajantes que estiveram no Irã, mesmo que por motivos esportivos e há quase uma década. O ex-lateral, que foi titular na final da Copa de 2010 contra a Holanda, no Soccer City, em Joanesburgo, agora busca uma solução de última hora para não perder a oportunidade de torcer pela Espanha ao lado dos filhos e dos antigos companheiros de seleção.
Fonte: Agência Brasil.
