Aliados de Trump criticam nomeação de Ed Miliband como chanceler britânico e alertam para risco à relação especial

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Fonte da imagem: Fox News (Reuters/Jack Taylor)

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A nomeação de Ed Miliband como novo secretário de Relações Exteriores do Reino Unido gerou forte reação de aliados do presidente americano Donald Trump, que veem na escolha do primeiro-ministro Andy Burnham um risco à chamada relação especial entre os dois países. Miliband, ex-líder do Partido Trabalhista e figura central na agenda climática britânica, assumiu o cargo na segunda-feira, substituindo Yvette Cooper, em um movimento que marca sua volta ao centro do poder após anos de ostracismo político.

Nile Gardiner, diretor do Centro Margaret Thatcher para a Liberdade da Heritage Foundation e ex-assessor da primeira-ministra Margaret Thatcher, classificou a decisão como “desastrosa” para o Reino Unido. Em entrevista à Fox News Digital, Gardiner afirmou que a nomeação demonstra “uma real falta de pensamento estratégico por parte de Andy Burnham”. Segundo ele, Miliband “não é amigo dos Estados Unidos” e foi um crítico declarado de Trump. Gardiner acrescentou que o novo chanceler é visto por conservadores americanos como o “arquiteto de toda a agenda net-zero”, considerada “completamente venenosa” pela administração Trump.

As críticas vão além do campo conservador. Steve Bannon, ex-chefe de estratégia da Casa Branca e aliado político de Trump, disse ao jornal The Daily Telegraph que a administração americana vê a nomeação como “muito prejudicial” à relação especial. Embora Bannon não ocupe cargo no governo, suas declarações ecoam alertas anteriores. O jornal The London Times já havia reportado, antes do anúncio oficial, que a administração Trump teria sinalizado oposição a Miliband e demonstrado preocupação ainda maior com a possibilidade de ele se tornar chanceler. A reportagem, no entanto, não foi atribuída a nenhum funcionário nomeado da Casa Branca.

O histórico de Miliband em relação a Trump é marcado por declarações contundentes. Durante a primeira campanha presidencial de Trump, Miliband o descreveu como “racista, misógino e confessado apalpador”. A frase voltou a circular após a vitória de Trump na eleição de 2024, quando o apresentador da BBC Breakfast, Jon Kay, questionou Miliband sobre como ele trabalharia com alguém que havia descrito daquela forma. “Eu disse algumas coisas no passado”, respondeu Miliband. “Meu trabalho agora como ministro do governo é trabalhar com as pessoas.”

As divergências, porém, não se limitam à retórica. Como secretário de Energia e Net-Zero no governo de Keir Starmer, Miliband tornou-se o rosto público da política climática trabalhista e da oposição à emissão de novas licenças para exploração de petróleo e gás no Mar do Norte. Trump e membros de sua administração têm pressionado o Reino Unido a aumentar a produção doméstica de combustíveis fósseis, criando um ponto de atrito direto com a agenda ambiental de Miliband.

Gardiner classificou a nomeação como um “movimento de altíssimo risco” que “não faz sentido”. “Burnham já está começando muito mal com essa nomeação”, disse. “Não tenho dúvidas de que haverá tensões muito significativas entre o presidente Trump e o primeiro-ministro Burnham, e a nomeação de Miliband é possivelmente a pior que Burnham poderia fazer para o cargo de chanceler.”

Em suas primeiras declarações após a nomeação, Miliband mencionou a experiência de sua família como sobreviventes do Holocausto. “É a honra da minha vida ser convidado pelo primeiro-ministro para ser o secretário de Relações Exteriores do nosso país”, afirmou em comunicado na terça-feira. “Meus pais vieram para cá, refugiados judeus fugindo dos nazistas, e, para eles, a Grã-Bretanha proporcionou refúgio e um farol de esperança na luta contra o fascismo.” Ele acrescentou: “Em um momento em que os valores da democracia, do Estado de Direito e da liberdade estão ameaçados como nunca antes, levarei esse espírito, o espírito deles, para o meu trabalho como chanceler.”

Miliband também se comprometeu a nutrir a “aliança forte, duradoura e essencial” do Reino Unido com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que aprofundará a relação estratégica com a União Europeia, conforme noticiou o Financial Times. A nomeação ocorre em um momento em que Burnham busca preservar laços estreitos com Washington. O primeiro-ministro conversou com Trump logo após assumir o cargo e reafirmou a importância da relação bilateral, segundo a agência Reuters.

Apesar das promessas de cooperação, a escolha de Miliband já é vista como um teste para a diplomacia britânica. A Casa Branca não confirmou publicamente se houve um aviso formal contra a nomeação, e o próprio Bannon não ocupa cargo na administração. O episódio, no entanto, expõe as fissuras que podem marcar o relacionamento entre os dois países nos próximos anos.

Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/world/uks-burnham-names-trump-critic-ed-miliband-foreign-secretary-ex-thatcher-aide-brands-pick-disastrous.

Fonte: Fox News.

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2026-07-21 18:11:00

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