CNI mantém projeção de crescimento de 2% para o PIB em 2026, mas alerta para juros e inflação

CNI mantém projeção de crescimento de 2% para o PIB em 2026, mas alerta para juros e inflação
Fonte da imagem: Agência Brasil


A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2026, conforme o Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (22). A entidade prevê que a economia continuará avançando em ritmo moderado, impulsionada principalmente pela indústria extrativa, pelo agronegócio e pela resiliência do setor de serviços. No entanto, a CNI alerta que juros elevados, inflação persistente, custos de produção mais altos e o aumento das importações devem limitar uma recuperação mais robusta da atividade econômica.

O diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, destacou em nota que o crescimento continuará sustentado pelos setores ligados às commodities e por estímulos à demanda. Segundo ele, a política monetária restritiva e as fragilidades fiscais permanecem como entraves para uma expansão mais acelerada. A entidade também revisou para cima a projeção da inflação, medida pelo IPCA, de 4,4% para 5% neste ano, pressionada por alimentos, combustíveis e serviços.

O cenário fiscal também preocupa a CNI. Embora a arrecadação federal deva crescer 5,8% acima da inflação, o aumento das despesas públicas, estimado em 4,5% acima da inflação, deve manter as contas do governo no vermelho. A entidade projeta um déficit primário de R$ 55,3 bilhões em 2026 e uma dívida pública equivalente a 82% do PIB.

Na indústria, a CNI revisou para cima a expectativa de crescimento do PIB industrial, de 1,6% para 2,1%, impulsionado principalmente pela atividade extrativa, que deve crescer 9,1%, beneficiada pelo aumento da produção de petróleo e menos afetada pelos juros elevados. Já a indústria de transformação teve projeção elevada de 0,3% para 0,6%, mas continua pressionada pelo avanço das importações, pelos juros altos e pelo aumento dos custos decorrentes da guerra no Oriente Médio. Apenas sete dos 24 segmentos industriais apresentam crescimento, segundo a entidade. A construção civil deve ganhar impulso com medidas governamentais voltadas ao crédito habitacional e aos investimentos em infraestrutura, com projeção de crescimento de 1,3% para 1,5%.

A agropecuária teve projeção elevada pela segunda vez consecutiva, de 1,1% para 1,8%, impulsionada pela expectativa de uma nova safra recorde, especialmente de soja, aliada ao crescimento da produção animal. Mesmo diante do aumento dos custos de insumos provocado pelo conflito no Oriente Médio, o setor deve apresentar desempenho superior ao previsto anteriormente.

O setor de serviços, por sua vez, teve projeção reduzida de 2,1% para 1,9%. Embora continue sendo sustentado pelo mercado de trabalho, pelas vendas do varejo e pelos segmentos de informação e comunicação, o aumento da inadimplência das famílias, o maior endividamento e os juros elevados reduziram a expectativa de crescimento.

Diante da inflação persistente e da piora do cenário fiscal, a CNI reduziu a expectativa de queda da taxa básica de juros. Agora, a previsão é de apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026, com a Selic encerrando o ano em 13,75% ao ano, ante projeção anterior de 12,75%. A taxa atual é de 14,25% ao ano. Os juros reais (acima da inflação) são estimados em 9,2%, enquanto o juro neutro, que não afeta o PIB, é estimado em 5%. Segundo a entidade, caso as projeções se confirmem, a política monetária permanecerá em nível bastante restritivo durante todo o próximo ano.

No cenário externo, a guerra no Oriente Médio continua sendo apontada como o principal fator de risco para a economia brasileira. O conflito elevou os custos de combustíveis, energia e fertilizantes, embora a CNI avalie que essa pressão possa diminuir ao longo do ano diante do aumento esperado da oferta mundial de petróleo. Outro ponto de atenção é o avanço das importações de bens de consumo, que cresceram 16% no primeiro semestre, em meio à desaceleração da indústria nacional. As importações totais somaram US$ 306 bilhões (alta de 5,2%), enquanto as exportações atingiram US$ 383,9 bilhões (alta de 9,5%), resultando em um superávit da balança comercial de US$ 77,9 bilhões (alta de 30,4%). A entidade ressalta, porém, que esse cenário poderá ser alterado caso avancem as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, fator que pode afetar o desempenho das exportações ao longo de 2026.

Fonte: Agência Brasil.

Publicidade

Imperdivel!!!

Tabela da Copa do Mundo 2026
Campeonato Brasileiro
Tabela do Campeonato Inglês (Premier League)
Tabela do Campeonato Espanhol (La Liga)
Tabela do Campeonato Alemão (Bundesliga)
Tabela do Campeonato Francês (Ligue 1)
Tabela do Campeonato Italiano (Serie A)