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O streamer Hasan Piker, conhecido por suas transmissões na Twitch e por declarações polêmicas, voltou a ser alvo de escrutínio após colocar emoldurado em seu cenário um exemplar da primeira página do The New York Times do dia 12 de setembro de 2001, que traz a manchete sobre os ataques às Torres Gêmeas e ao Pentágono. A imagem foi notada por espectadores e repercutiu nas redes sociais, levando a Anti-Defamation League (ADL) a se manifestar contra o que considera normalização do antissemitismo.
A primeira live em que o jornal aparece ao fundo, segundo análise da Fox News Digital, foi transmitida em 13 de julho. Dias depois, em uma stream, Piker comentou a novidade: “Vocês devem ter notado algumas mudanças atrás de mim. Finalmente emoldei o jornalzinho fofo da Cinderela do 11/9, da manhã do dia 12/9… o jornal que cobriu o 11/9. Agora está oficialmente atrás de mim”.
A polêmica reacendeu lembranças de uma fala de Piker em 2019, quando disse que “a América mereceu o 11 de setembro”. Após forte reação negativa, ele afirmou em entrevista que “obviamente” não queria dizer que os ataques foram merecidos e acusou críticos de ignorarem “a verdade real do que eu estava falando”, explicando que a frase era uma crítica à política externa dos EUA. Mais tarde, ele admitiu que seus comentários foram “inapropriados” e que deveria ter usado “uma linguagem mais precisa e melhor”.
A repercussão ocorre em meio à crescente influência de Piker além de suas lives. Ele foi um dos palestrantes da convenção da College Democrats of America (CDA), realizada em Washington, D.C., entre 17 e 19 de julho. Durante o evento, vestindo uma jaqueta que muitos compararam ao estilo de Mao Tsé-Tung, Piker disparou contra “democratas que comprometem, que conciliam e que nos traem”. “Chega de reacionários fascistas, mas chega também de democratas que colaboram e cooperam com fascistas, que financiam o ICE, que financiam Israel, que ajudam a envenenar o planeta, que prejudicam trabalhadores e ajudam patrões”, discursou.
A presença de Piker na convenção gerou críticas de diversos setores. O J Street U, braço universitário da organização progressista pró-Israel J Street, que foi um dos co-patrocinadores do evento, enfrentou reação negativa por sua associação. O fundador Jeremy Ben Ami declarou à Fox News Digital que o J Street U “se orgulhou de patrocinar e participar da Convenção dos Democratas Universitários” e que não teve “nenhum papel na seleção dos palestrantes, incluindo a decisão de ter Hasan Piker como convidado surpresa, com quem temos muitas discordâncias”. Ele acrescentou que “estar em locais como este é ainda mais importante quando há participantes com quem discordamos” e que “deixar de comparecer teria sido uma abdicação de nossa responsabilidade de defender nossas visões pró-Israel”. Ben Ami não esclareceu onde as visões do J Street divergem das de Piker nem onde se alinham.
O perfil DSA Watch, que monitora o movimento socialista, foi um dos que criticaram o discurso de Piker na CDA. Em resposta, o streamer afirmou que o DSA Watch era “uma operação de direita” e “provavelmente uma operação de hasbara”, termo usado para se referir a esforços de propaganda israelense. O DSA Watch negou as acusações e disse que a “fonte” de Piker estava relacionada a “uma tentativa fracassada de doxxing”.
O Caucus Judaico da CDA também se opôs à inclusão de Piker, classificando-o como “antissemita e misógino”. Em nota, afirmou que “a normalização de Piker e sua retórica em programação sancionada pela CDA é uma ameaça direta à segurança e inclusão judaica na comunidade dos Democratas Universitários. Aplicar um padrão duplo à segurança e representação de estudantes judeus é uma manifestação de antissemitismo e inconsistente com nossos valores democráticos compartilhados de inclusão, respeito por comunidades diversas e preocupação com a segurança e pertencimento de todos os membros”.
Após a divulgação da declaração do caucus, a ADL se manifestou no X, expressando decepção por a CDA ter escolhido Piker para sua convenção. “É profundamente preocupante ver a próxima geração de líderes políticos ajudar a normalizar o antissemitismo em vez de rejeitá-lo”, escreveu a entidade.
A convenção da CDA e o jornal emoldurado adicionaram novas camadas ao debate sobre a inclusão de Piker nos círculos políticos democratas. Alguns políticos, como o candidato ao Senado por Michigan Abdul El-Sayed, a deputada estadual Claire Valdez (D-NY) e a ativista Darializa Avila Chevalier, já fizeram campanha com ele, gerando discussões internas sobre se abraçar Piker ajuda a alcançar eleitores jovens ou se a controvérsia não compensa o custo político.
A Fox News Digital entrou em contato com Piker e com a CDA para comentários, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/media/hasan-piker-draws-fresh-scrutiny-after-framing-newspaper-covering-9-11-attacks-stream-background.
Fonte: Fox News.
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2026-07-22 17:30:00

