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O ex-prefeito de Chicago Rahm Emanuel, cotado como potencial candidato democrata à presidência em 2028, defendeu que o Partido Democrata deve abandonar as chamadas guerras culturais de esquerda e concentrar-se em questões do dia a dia, como educação e economia. A declaração foi feita durante entrevista ao programa The New Yorker Radio Hour, na terça-feira, em que Emanuel confrontou o editor David Remnick sobre a prioridade dada a pautas transgênero.
Emanuel afirmou estar “cansado da discussão sobre vestiários e banheiros” e que é preciso “começar a conversar sobre a sala de aula”. Remnick questionou se os democratas deveriam realmente silenciar diante de ataques a pessoas trans, comparando a situação às lutas por direitos civis da era de Martin Luther King Jr. “Essa frase é inteligente, mas não faz justiça a seres humanos que querem seus direitos”, disse Remnick.
Em resposta, Emanuel lembrou que, em 2016, aprovou uma lei garantindo acesso a banheiros para pessoas trans em Chicago, mas que nunca permitiu que isso desviasse o foco da educação. Ele citou dados de sua gestão: a taxa de graduação no ensino médio subiu de 56% para 84%, e o sistema escolar da cidade foi classificado como o melhor do país por Sean Reardon, da Universidade Stanford.
O ex-prefeito argumentou que, após a pandemia, os democratas se distraíram com pautas como a remoção do nome de Abraham Lincoln de escolas em São Francisco, o movimento “defund the police” e o termo “Latinx”, que, segundo ele, “ninguém se identifica”. “Quando as pessoas estão com as costas contra a parede, não conseguindo pagar a faculdade, a hipoteca ou tendo acesso à saúde negado, elas esperam que os democratas apareçam. E nós aparecemos falando sobre acesso a banheiros e eventos esportivos”, criticou.
Remnick insistiu que a posição de Emanuel soava como um bordão para se diferenciar dentro do partido. Emanuel rebateu: “Não é apenas um bordão. Passei uma lei em 2016, há dez anos. Garanti que crianças tivessem acesso a banheiros. Só não deixei que isso atrapalhasse a leitura, a matemática e as taxas de graduação.” Ele ainda mencionou ter ido ao Mississippi antes que os índices de leitura se tornassem conhecidos nacionalmente, ajudando o estado a saltar da 49ª para a 9ª posição.
O ex-prefeito também criticou políticos de ambos os partidos por aceitarem o fracasso educacional. “Cinquenta por cento das nossas crianças não conseguem ler ou fazer matemática no nível da série. E vamos falar de acesso a banheiros?”, questionou. Para Emanuel, é preciso priorizar: “Vou garantir que as crianças se sintam aceitas. E a melhor forma de fazer isso é garantir que saibam ler, fazer matemática e se formar no ensino médio.”
Ele defendeu que nenhum aluno deve receber o diploma sem apresentar uma carta de aceitação de faculdade, faculdade comunitária, Forças Armadas ou escola vocacional – política implementada em Chicago. “Isso prepara toda criança para o amanhã”, afirmou.
Remnick, por sua vez, comparou a pressa de Emanuel em deixar o debate trans para depois à paciência exigida de ativistas negros na década de 1960, citando a “Carta da Prisão de Birmingham”, de King. Emanuel respondeu que o país “provou que não consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo” e que Remnick começou a entrevista pelo que considerava prioridade, não pela educação.
O embate reflete uma divisão interna no Partido Democrata sobre como equilibrar pautas identitárias com questões econômicas e educacionais, especialmente após derrotas eleitorais. Emanuel, que já foi chefe de gabinete de Barack Obama, é um dos nomes que defendem uma guinada ao centro para reconquistar eleitores.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/media/rahm-emanuel-spars-new-yorker-interviewer-grilled-not-emphasizing-trans-issues.
Fonte: Fox News.
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2026-07-23 19:37:00



