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O proprietário de um restaurante com estrela Michelin em Seul, na Coreia do Sul, pode ser condenado a até um ano de prisão e multa de aproximadamente US$ 13.510 (cerca de R$ 75 mil) por servir formigas como acompanhamento de sorvetes. O caso corre na Justiça sul-coreana e chamou atenção para a regulamentação de insetos comestíveis no país.
O estabelecimento, cujo nome e do proprietário não foram divulgados nos documentos judiciais, teria oferecido formigas secas como guarnição opcional para sobremesas. O dono admitiu ter servido os insetos, mas a defesa alega que apenas 60% dos clientes escolhiam as formigas entre as opções disponíveis, que incluíam vinagre fermentado e flores comestíveis.
O problema é que, de acordo com a Lei de Saneamento Alimentar da Coreia do Sul, as formigas não estão entre as espécies de insetos autorizadas para consumo humano. A legislação local aprova apenas dez tipos de insetos como alimento, entre eles gafanhotos, larvas de farinha, pupas de bicho-da-seda, grilos e besouros de duas manchas.
A violação foi descoberta pelo Ministério de Segurança Alimentar e Medicamentos do país por meio de publicações de clientes em redes sociais e avaliações online que mencionavam a presença de formigas nos pratos. A partir dessas denúncias, o órgão iniciou uma investigação que levou à acusação formal.
Os promotores alegam que as formigas servidas continham níveis de metais pesados até 55 vezes acima do limite máximo permitido para outros insetos comestíveis. Além disso, acusam o restaurante de importar formigas secas e de ter utilizado aproximadamente 49 mil insetos em preparações desde 2021. A defesa, por sua vez, contesta esse número, segundo o jornal sul-coreano The Chosun Daily.
O julgamento deve ocorrer em setembro, quando a corte decidirá sobre a pena. O caso reacende o debate sobre a regulamentação de insetos na alimentação, um mercado que vem crescendo globalmente. Estimativas da Fortune Business Insights indicam que o mercado global de alimentos à base de insetos deve saltar de US$ 1,73 bilhão em 2025 para US$ 13,23 bilhões até 2034, impulsionado pela busca por fontes sustentáveis de proteína.
Atualmente, os besouros dominam o setor, com 33% de participação de mercado, seguidos por larvas de farinha amarela e larvas de farinha menor. Grilos e gafanhotos são os segmentos que mais crescem. Nos Estados Unidos, já existem produtos como os Chirps Chips, tortillas feitas com farinha de grilo, além de proteínas em pó e barras de cereais à base do inseto. Até mesmo biscoitos para cães, como os da marca Jiminy’s, utilizam grilos e larvas.
Um pequeno estudo da Universidade da Beira Interior, em Portugal, revelou que consumidores expostos a alimentos com insetos mostraram mais curiosidade e receptividade do que o esperado. Para Ashley Gearhardt, professora de psicologia da Universidade de Michigan, é “empolgante ver que os consumidores podem estar abertos a novas e abundantes fontes de nutrição”.
Apesar do potencial do mercado, o caso sul-coreano mostra que a legalidade do consumo de insetos varia de país para país. Enquanto a Coreia do Sul permite dez espécies, outros lugares têm regras mais flexíveis ou mais restritivas. O desfecho do processo pode influenciar futuras regulamentações e a aceitação de insetos como alimento no país.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/food-drink/michelin-starred-chef-facing-jail-after-allegedly-serving-nearly-50000-ants-diners.
Fonte: Fox News.
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2026-07-23 19:48:00

