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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que sua administração instale placas de alerta na entrada do Museu Nacional de História Americana, vinculado ao Smithsonian Institution, em Washington, D.C. A medida, anunciada na semana passada, orienta os visitantes a buscarem informações que a Casa Branca considera “precisas” sobre o passado do país. A decisão ocorre em meio a um embate entre o governo republicano e a instituição, acusada por conservadores de promover uma agenda progressista em suas exposições.
O Smithsonian Institution, o maior complexo de museus do mundo, tornou-se alvo de críticas de Trump e de setores conservadores por causa do que descrevem como uma abordagem cada vez mais alinhada a pautas de esquerda. A controvérsia ganhou força após a divulgação, no início do mês, de um relatório da Casa Branca que aponta uma suposta infiltração de ideologia esquerdista na instituição. O documento cita, por exemplo, a diretora do Museu Nacional de História Americana, Anthea Hartig, que desde 2019 ocupa o cargo e teria afirmado que vê a história como uma “ferramenta primordial de justiça social” e que uma de suas funções é conectar “pesquisa e bolsa de estudos ao ativismo e à defesa de causas”.
O relatório da Casa Branca, que um especialista ouvido pela Fox News Digital classificou como um exemplo da “longa marcha pelas instituições” promovida por ativistas socialistas e comunistas nos EUA há décadas, afirma que a mudança “da história para o ativismo” está claramente documentada. A análise cita ainda uma infografia produzida pela instituição em 2020 que teria criticado a “cultura branca”, além de supostas iniciativas que defendem reparações raciais. O documento gerou reação imediata de parlamentares republicanos, que cobraram explicações da direção do Smithsonian.
A ordem de Trump para instalar as placas foi interpretada como uma resposta direta ao relatório e às audiências no Congresso sobre o conteúdo das exposições. Durante uma audiência recente, legisladores republicanos questionaram a precisão histórica das mostras e acusaram a instituição de priorizar o ativismo em detrimento da narrativa factual. A Casa Branca, por sua vez, defendeu que os visitantes tenham acesso a informações “corretas” sobre a história americana, sem detalhar quais seriam as divergências apontadas.
O Smithsonian, fundado em 1846 com recursos do testamento do cientista britânico James Smithson, que nunca visitou os Estados Unidos, mas deixou sua fortuna para a criação de uma instituição dedicada ao “aumento e difusão do conhecimento”, cresceu de um único museu para uma rede que abrange quase 700 instalações próprias ou alugadas em oito estados, no Distrito de Columbia e no Panamá. O complexo ocupa cerca de 13,6 milhões de pés quadrados de museus, laboratórios, arquivos, armazéns, estações de pesquisa e instalações de apoio.
Atualmente, a instituição abriga mais de 157 milhões de artefatos e espécimes, opera 21 museus, o Zoológico Nacional e 14 centros de educação e pesquisa, mantém 21 bibliotecas e tem parceria com mais de 200 museus e instituições culturais afiliadas em todo o país. Apesar da grandiosidade, os visitantes têm acesso a apenas uma fração do acervo: cerca de 99% dos itens ficam armazenados em depósitos, laboratórios e arquivos, onde são preservados e estudados por pesquisadores.
O Smithsonian recebe mais de 30 milhões de visitantes presenciais por ano, enquanto seus recursos educacionais e plataformas digitais alcançam milhões de pessoas adicionalmente. A instituição opera com um orçamento anual superior a US$ 1 bilhão. Além de administrar museus, o Smithsonian atua como uma instituição nacional de educação e pesquisa, com forte presença em campi universitários e escolas de todo o país, influenciando a formação de estudantes.
Por meio de iniciativas como o Smithsonian Learning Lab e o Smithsonian Science Education Center, a instituição oferece milhões de planos de aula gratuitos, atividades para sala de aula, visitas virtuais e outros materiais educacionais usados por professores e alunos em todo o território nacional. Também promove desenvolvimento profissional para educadores e programas que vão além dos museus. Em parceria com universidades, o Smithsonian participa de estágios, bolsas de estudo, colaborações de pesquisa e programas acadêmicos conjuntos, envolvendo milhares de estudantes de graduação, pós-graduação e pós-doutorado anualmente.
A decisão de Trump de instalar as placas no Museu Nacional de História Americana, no entanto, não encerra a polêmica. Especialistas e críticos apontam que a medida pode aprofundar a divisão sobre o papel das instituições culturais na preservação da memória histórica. Enquanto o governo defende uma abordagem mais tradicional, o Smithsonian sustenta que suas exposições refletem uma leitura plural e crítica do passado, o que, segundo a instituição, é parte de sua missão educativa.
A controvérsia, que já dura semanas, deve continuar nos próximos meses, especialmente com a proximidade das eleições de meio de mandato. Parlamentares republicanos prometem manter a pressão sobre a direção do Smithsonian, enquanto democratas e defensores da instituição argumentam que as críticas fazem parte de uma estratégia política para desacreditar o trabalho de preservação histórica. O caso reacende o debate sobre os limites entre história, memória e ativismo nos espaços públicos americanos, um tema que promete marcar a agenda política do país.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/politics/inside-behemoth-smithsonian-museum-network-drawing-fire-trump-administration.
Fonte: Fox News.
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2026-08-02 06:00:00


