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Um comboio de ajuda humanitária chegou a Cuba nessa terça-feira (25).

A flotilha “Nossa América”, liderada pelo ativista brasileiro Thiago Ávila, saiu do México no dia 20 deste mês, carregando 30 toneladas de alimentos, itens médicos e painéis solares, de acordo com informações das redes sociais do grupo, que foi recebido no porto de Havana, capital cubana, por moradores e autoridades locais.
O país caribenho enfrenta dificuldades após o governo dos Estados Unidos estabelecer um embargo e barrar a entrada de petróleo. Os impactos são sentidos na saúde, nas comunicações e no setor de energia.
A situação se aprofundou quando a Venezuela foi atacada e o presidente do país, Nicolás Maduro, foi sequestrado.
Manifestantes chegaram a atacar o escritório da sede do Partido Comunista, que comanda o país, contra a falta de energia e de alimentos.
O pesquisador do Observatório de Política Externa Brasileira da Universidade Federal do ABC, Bruno Fabrício, explica que os Estados Unidos fazem pressão econômica para derrubar o governo cubano.
“Ao mesmo tempo, os Estados Unidos tentam fortalecer o setor privado cubano, estimulando uma transição econômica. Ou seja, o objetivo não é apenas econômico, mas político e geopolítico: provocar reformas, abertura econômica e, a longo prazo, uma mudança no regime político da ilha – além de reduzir a influência de países como China e Rússia em Cuba”.
Para o pesquisador, a crise cubana é explicada pelo modelo econômico interno e pelo impacto histórico e estrutural do embargo americano sobre a ilha há mais de 60 anos. Apesar disso, ele não acredita numa mudança rápida do regime, mas um processo lento de mudanças.
“Cuba pode caminhar para algo parecido com o que aconteceu no Vietnã ou na China. O sistema político continua controlado por um partido único, mas a economia vai sendo gradualmente aberta ao mercado, ao setor privado e ao investimento estrangeiro. Então a estabilidade política em Cuba depende muito da economia. Se a crise energética e alimentar continuar, a pressão social aumenta. Se Cuba conseguir petróleo de outros países e melhorar a economia, o regime ganha mais tempo”.
Impactos sociais graves
A Organização das Nações Unidas (ONU) já se manifestou pela suspensão do embargo, por causa do aprofundamento da crise socioeconômica em Cuba. De acordo com a instituição, unidades de cuidados intensivos e serviços de emergência têm sido prejudicados pela crise energética.
A falta de energia prejudica o acesso à água potável, saneamento e higiene. Mais de 80% do bombeamento de água em Cuba dependem de eletricidade. A alimentação escolar, casas de maternidade e lares de idosos também sofrem, com impacto desproporcional sobre os grupos mais vulneráveis.
*Notícia atualizada às 13h10 para inclusão de entrevistado
2:36 Gabriel Brum – Repórter da Rádio Nacional , Feed Editoria Radioagência Nacional.
Fonte: Agencia brasil EBC..
Wed, 25 Mar 2026 11:20:00 -0300

