Suvaco do Cristo se despede do carnaval após 40 anos de desfile

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O bloco de rua Suvaco do Cristo vai desfilar pela última vez no dia 8 de fevereiro, último domingo antes do carnaval. A fantasia é livre e um dos sambas que serão tocados será o Eco no Ar, no qual o bloco ironizava os ecologistas de última hora que participaram da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, realizada no Rio de Janeiro, em junho de 1992.

“Completamos 40 anos e achamos que o nosso ciclo chegou ao fim. Dever cumprido. A gente acha que ajudou a revitalizar o carnaval de rua do Rio de Janeiro. São 40 anos de desfile. Hoje, nós temos milhares de blocos mais jovens, fanfarras, uma diversidade, e acho que nossa missão está cumprida. Estamos satisfeitos. Nossa nave chegou ao final, pousou com a missão cumprida”, disse à Agência Brasil o fundador e presidente do Suvaco do Cristo, João Avelleira.

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Esclareceu que a decisão não se deve à burocracia ser grande. A decisão foi tomada simplesmente porque os 40 anos representam bastante tempo.

“Ao mesmo tempo, a gente se sente representado e tem certeza que o nosso DNA está em muitos desses blocos que hoje em dia estão desfilando por aí. A gente serviu de estímulo para muitos desses blocos pequenos”. Para desfilar no carnaval de 2026, o Suvaco do Cristo fez sua inscrição na Riotur, “como sempre fizemos”, juntando-se aos demais 802 blocos que pediram autorização à prefeitura.

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Museu Virtual

Um Museu Virtual está sendo preparado, onde será depositada toda a memória do bloco, com fotos dos desfiles, sambas, gravações dos sambas.

“Vamos deixar essa memória gravada para que todas as pessoas possam ter acesso”. João Avelleira acredita que ainda em 2026 o Museu Virtual do Suvaco do Cristo poderá ser acessado em sua totalidade. ”Acho que é um trabalho importante”, afirmou. Sugeriu que outros blocos poderiam seguir o mesmo exemplo. O acervo do museu estará disponível para pesquisadores e para o público em geral, gratuitamente.

Este ano, o desfile do Suvaco do Cristo será objeto de filmagem, com argumento do jornalista Aydano André Motta, especialista em carnaval, e do também roteirista Leonardo Bruno, pela Casé Filmes. Segundo João Avelleira, a filmagem vai servir de linha para contar os 40 anos da história do Suvaco “e o legado que nós vamos deixar também. Vamos terminar em grande estilo”, prometeu.

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Projeto de extensão

O trabalho de criação do Museu Virtual está sendo feito em parceria com o Instituto de Computação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob a liderança da professora Anamaria Martins Moreira, amiga do fundador do bloco e uma das foliãs assíduas dos desfiles.

“Ele queria ajuda com as redes sociais do bloco, mas expliquei que os alunos da ciência da computação são mais raiz, mais ‘hardcore’ e não dessa parte de comunicação”, explicou Anamaria à Agência Brasil.

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Ela sabia, porém, que o instituto estava precisando aumentar os projetos de extensão, modelos em que os estudantes têm obrigação de fazer 10% da carga horária no curso de graduação em atividades de extensão, ou seja, têm que ter interação com a sociedade de alguma maneira. Foi criado então esse projeto de extensão para reunir o material do bloco, proceder à sua catalogação, classificar e começar a montar o portal, que é o museu. O projeto reúne alunos de computação, de história, de história da arte, de comunicação. “É multidisciplinar”, disse a professora.

Primeiro acesso

O primeiro ano de desfile do Suvaco (1986) já pode ser acessado no site do bloco (suvacodocristo.com.br) como um teste inicial.

“Já dá para ter uma ideia da estrutura. Mas há coisas que se quer acrescentar, como quem era a porta-bandeira no primeiro desfile, que foi a Sonia Matos”. É de Sonia também a criação da arte da primeira camiseta. A ideia é ter informações referentes a cada ano dos desfiles, reunindo dados sobre sambas, contexto histórico que acontecia no país e no mundo, dados sobre os compositores e artistas que faziam as camisetas dos blocos. “Tudo isso está começando”.

Anamaria Martins Moreira destacou que já estão no site reportagens que saíram nos jornais sobre o bloco em 1986. Será incluído no acervo do Museu Virtual um documentário dos primeiros 20 anos do Suvaco, cuja autora é Paola Vieira, uma das fundadoras da agremiação. Em relação ao filme que será rodado este ano, a professora não sabe se será possível colocar no portal, em função de direitos autorais.

Agora, Anamaria e seus alunos estão preparando os dados relativos ao ano de 2012 para inserir no portal. A data foi escolhida porque nesse ano o bloco ganhou o Prêmio Serpentina de Ouro, criado pelo jornal O Globo, como melhor fantasia. Ela acredita que a partir de agora, o trabalho vai ser mais rápido, porque a estrutura está montada e ganhou uma feição mais colorida, “uma feição de carnaval. Agora, é só duplicar as páginas e trocar os conteúdos, eventualmente adaptando para um conteúdo diferente. É um trabalho ambicioso, porque são 40 anos e há uma diversidade de coisas que aconteceram ao longo desse período. Tem anos que têm coisas particulares que vão exigir seções especiais”.

Para fevereiro, ela pretende, pelo menos, concluir as informações referentes a 2012. “Todos os anos vão estar lá no Museu”. Como o bloco não possui muitas fotos referentes aos primeiros desfiles, será pedida mais adiante doação de materiais através das redes sociais.

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Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil ​ , Feed Últimas.

Fonte: Agencia brasil EBC..

Mon, 12 Jan 2026 14:42:00 -0300