
World Soccer Talk.
A gestão de seleções nacionais tornou-se um negócio implacável, e a Copa do Mundo de 2026 deixou isso evidente. Com a saída do belga Rudi García, após o término de seu contrato em 31 de julho, o número de mudanças de treinadores neste verão europeu chegou a 17. O cenário inclui desde saídas por eliminação precoce até renúncias após campanhas decepcionantes, abrindo espaço para uma série de novos comandantes, entre eles nomes de peso como Zinedine Zidane e Jürgen Klopp.
A lista de técnicos que deixaram seus cargos é extensa e reflete o alto nível de exigência imposto às equipes nacionais. Didier Deschamps encerrou sua passagem de 14 anos à frente da França após o Mundial. Roberto Martínez renunciou ao comando de Portugal depois da derrota para a Espanha nas oitavas de final. Julian Nagelsmann deixou a Alemanha após a eliminação para o Paraguai ainda na fase de 32 avos. Rudi García, que levou a Bélgica às quartas, também saiu. Zlatko Dalić encerrou seu ciclo na Croácia após a queda na fase de 32 avos para Portugal. Javier Aguirre renunciou depois que o México perdeu para a Inglaterra nas oitavas. Ronald Koeman deixou a Holanda após a eliminação na fase de 32 avos. Sebastián Beccacece saiu do Equador depois da eliminação na mesma fase. Marcelo Bielsa deixou o Uruguai após a campanha no torneio. Steve Clarke renunciou após a Escócia não passar da fase de grupos. Hong Myung-bo deixou a Coreia do Sul após a eliminação precoce. Sabri Lamouchi foi demitido da Tunísia depois da goleada sofrida por 5 a 1 na estreia. Miroslav Koubek deixou a Chéquia após a eliminação na fase de grupos. Pape Thiaw teve o contrato rescindido após a eliminação do Senegal. Carlos Queiroz renunciou depois que Gana caiu na fase de 32 avos. Jamal Sellami deixou a Jordânia após a eliminação precoce. Vladimir Petković saiu da Argélia após uma campanha decepcionante.
Entre os novos nomes, Zinedine Zidane é o mais aguardado. Campeão mundial com a França em 1998, o ex-técnico do Real Madrid estava sem comandar uma equipe desde que deixou o clube espanhol pela segunda vez, em 2021. Agora, aos 54 anos, ele assume a seleção francesa com a missão de dar continuidade ao trabalho de Deschamps e liderar o time nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2030. Em sua apresentação, Zidane destacou a honra e a responsabilidade de comandar a equipe nacional. “Sempre disse que não há nada maior do que a seleção francesa”, afirmou. “É uma alegria e, obviamente, uma grande fonte de orgulho me tornar o técnico desta seleção. Também é uma responsabilidade. Quero agradecer ao presidente da Federação Francesa de Futebol, Philippe Diallo, ao comitê executivo e à federação pela confiança, e reconhecer os 14 anos de serviço de Didier e sua equipe. Tenho uma lembrança especial por todos os meus treinadores. Desnecessário dizer que tenho grandes ambições para a seleção francesa.”
Jürgen Klopp, por sua vez, foi a aposta da Federação Alemã de Futebol para reerguer a seleção que não vence um Mundial desde 2014. Aos 59 anos, o treinador, que teve passagens marcantes pelo Liverpool e, desde janeiro de 2025, atuava como chefe do futebol global na Red Bull GmbH, terá a missão de devolver à Alemanha o protagonismo no cenário internacional. A escolha de Klopp não surpreendeu, dada a escassez de alternativas viáveis no mercado.
Portugal também inicia uma nova era. Após a saída de Roberto Martínez, Jorge Jesus foi anunciado como substituto. O treinador português, que passou os últimos três anos na Saudi Pro League, terá pela frente a missão de administrar o veterano Cristiano Ronaldo, de 41 anos, que não deu sinais de que pretende se aposentar da seleção. Martínez foi criticado por ter cedido demais a Ronaldo durante o Mundial, o que teria contribuído para a eliminação precoce. Jesus, que comandou Ronaldo no Al-Nassr na temporada passada, indicou que o atacante seguirá convocado. “Enquanto ele estiver jogando e em condições de ser selecionado, vou convocá-lo, dentro de certos limites e nas condições que considerar melhores para a seleção”, disse Jesus. “Ainda não falei com Ronaldo. Ele nunca será um problema para a seleção, nem para mim. Tive grande prazer em trabalhar com ele no último ano – é fácil trabalhar com ele.”
A Bélgica, por sua vez, optou por Mark van Bommel para substituir Rudi García. O ex-jogador, que já comandou PSV Eindhoven, Wolfsburg e Royal Antwerp, ganhou destaque ao conquistar o campeonato e a copa da Bélgica com o Antwerp em 2023, sendo o primeiro título nacional do clube desde 1957.
A Croácia decidiu apostar em um velho conhecido. Slaven Bilić, que dirigiu a seleção entre 2006 e 2012, retorna ao cargo. Em sua apresentação, o ex-defensor demonstrou confiança no elenco e afirmou estar preparado para o desafio. “Tenho total confiança em nossos jogadores, e é minha responsabilidade trazer energia, ambição e determinação para garantir que a Croácia continue entre a elite do futebol”, declarou. “Estou genuinamente feliz em começar este desafio e me sinto totalmente preparado – como um treinador mais maduro e experiente do que em 2006, mas com a mesma motivação e desejo de ver a Croácia permanecer forte, ousada e bem-sucedida.”
Com tantas mudanças, o cenário do futebol internacional se renova. As federações buscam nomes capazes de responder rapidamente às pressões por resultados, e as escolhas feitas neste ciclo prometem movimentar as próximas eliminatórias e o caminho até a Copa do Mundo de 2030. Resta saber se as novas lideranças conseguirão corresponder às expectativas e devolver às seleções o brilho que os torcedores tanto esperam.
Leia mais aqui em inglês: https://worldsoccertalk.com/world-cup/world-cup-2026-which-countries-have-changed-managers/.
Fonte: World Soccer Talk.
World Soccer Talk.
2026-08-07 07:51:00
