
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) encerrou o primeiro semestre deste ano com lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões, valor 25% superior ao registrado no mesmo período de 2025. No acumulado dos últimos 12 meses, encerrados em junho, o lucro recorrente somou R$ 17,1 bilhões, o maior da história da instituição.
Os números foram apresentados nesta quarta-feira (12) pelo presidente do banco, Aloizio Mercadante, em entrevista coletiva na sede da instituição, em São Paulo. Ele classificou o resultado como extraordinário. “É um balanço extraordinário. É muito raro você conseguir combinar essas condições que estamos aqui apresentando hoje, com consistente e acelerado crescimento no volume de créditos e uma rentabilidade que é a segunda maior do mercado”, afirmou.
O banco também registrou avanço em outros indicadores. Os ativos totais somaram R$ 1,05 trilhão no período, o maior valor da história. A carteira de crédito alcançou R$ 684 bilhões, o maior patamar desde 2016, e o patrimônio líquido atingiu R$ 181 bilhões, também recorde histórico.
As aprovações de crédito totalizaram R$ 110,6 bilhões no semestre, um aumento de 52% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os destaques ficaram com os setores de infraestrutura e agropecuária, que cresceram 91% e 46%, respectivamente, somando R$ 46 bilhões e R$ 24,8 bilhões. Os créditos para comércio e serviços chegaram a R$ 17,3 bilhões, alta de 27%, enquanto a indústria recebeu R$ 22,5 bilhões, crescimento de 24%.
O apoio às micro, pequenas e médias empresas somou R$ 108,2 bilhões, o maior valor da história para o período, com alta de 22% na comparação anual. A inadimplência de 90 dias manteve-se praticamente estável, em torno de 0,05%, bem abaixo da média do Sistema Financeiro Nacional, que é de 4,68% no geral e 0,66% para grandes empresas.
Durante a coletiva, Mercadante também falou sobre a estratégia de diversificação da carteira do banco. Segundo ele, o BNDES pretende investir em novos setores e projetos, como carro voador, inteligência artificial, minerais críticos e terras raras. “Vamos entrar forte em terras raras, lítio e em mobilidade. Estamos financiando o PIB de toda indústria automotiva para fazer o elétrico flex para trazer o biocombustível junto com a mobilidade elétrica, que é uma rota tecnológica própria que o Brasil está perseguindo”, disse.
O presidente do banco também comentou as ações voltadas às mudanças climáticas. Ele afirmou que a instituição tem trabalhado em projetos de reconstrução e antecipado medidas de prevenção e combate aos efeitos de novos eventos climáticos. “Nós vamos ter novas emergências climáticas. O El Niño está vindo com força e tudo sinaliza que este ano já está muito mais quente no Brasil do que em 2024. Devemos ter muita chuva no sul, ondas de calor no Sudeste e muita seca no Norte e Nordeste. Então [o BNDES] vai ter que entrar [nesse tema]. Vamos ter que ajudar essas empresas, essas comunidades, essas famílias”, explicou.
Com os resultados apresentados, o BNDES reforça sua posição como um dos principais instrumentos de financiamento de longo prazo do país, com atuação em setores estratégicos e crescente participação no apoio a empresas de menor porte.
Fonte: Agência Brasil.
