
A ginástica rítmica do Brasil viveu um domingo histórico ao conquistar duas medalhas de ouro inéditas no Campeonato Mundial da modalidade, realizado em Frankfurt, na Alemanha. As vitórias vieram nas finais das cinco bolas e da série mista, prova em que as atletas se apresentam com três arcos e duas maças. Com os resultados, o país alcançou o topo do pódio pela primeira vez em um Mundial, superando potências tradicionais da modalidade.
A primeira conquista veio na apresentação com cinco bolas, na qual a equipe brasileira, conhecida como Leoas, executou uma série sem erros e obteve nota 29.450. A apresentação, embalada pela música Feeling Good, de Michael Buble, superou os 29.250 alcançados no Campeonato Pan-Americano em junho, no Rio de Janeiro, que até então era a maior pontuação do mundo no ano. O desempenho deixou para trás as duas últimas campeãs olímpicas: a China, que ficou com a prata ao somar 28.900, e a Bulgária, bronze com 28.400.
A conquista nas cinco bolas marcou a primeira vez que um país das Américas subiu ao lugar mais alto do pódio nesse tipo de prova em Mundiais. A técnica do conjunto, Camila Ferezin, celebrou a trajetória da equipe em declaração à Confederação Brasileira de Ginástica (CBG). “Nós aprendemos a acreditar que era possível. Primeiro, sonhamos em estar entre as melhores. Depois, começamos a competir de igual para igual com elas. E hoje estamos no lugar mais alto. Não aconteceu de um dia para o outro. Foram anos de trabalho, erros, acertos, lágrimas, renúncias e muita persistência”, afirmou.
Horas depois do ouro nas cinco bolas, as brasileiras voltaram ao tablado para a final da série mista, prova em que haviam sido medalhistas de prata no Mundial do ano passado, disputado no Rio de Janeiro. Ao som de Abracadabra, de Lady Gaga, a equipe cravou outra apresentação perfeita e repetiu a nota 29.450. A Espanha, que havia conquistado o título geral no sábado (15), ficou em segundo lugar com 29.050, seguida pela Bulgária, com 28.750.
A equipe brasileira é formada pela paulista Nicole Pírcio, pela capixaba Sofia Madeira, pelas paranaenses Julia Kurunczi e Mariana Gonçalves, pela amazonense Maria Paula Caminha e pela alagoana Maria Eduarda Arakaki, capitã do sexteto. Das seis ginastas, cinco vão para o tablado e uma fica como reserva. As avaliações levam em conta grau de dificuldade, execução e composição artística.
Camila Ferezin também destacou a evolução do conjunto desde o início da caminhada. “Éramos a 26ª equipe do mundo. Existia um sonho enorme, mas também sabíamos o tamanho do caminho que precisaríamos percorrer. Hoje, olhar para essas meninas e poder dizer que somos campeãs mundiais é algo quase surreal. É a realização de um sonho que foi construído todos os dias, durante muitos anos”, completou a técnica.
As conquistas deste domingo (16) representam um marco para a ginástica rítmica brasileira, que vinha acumulando resultados expressivos nos últimos anos. Além das duas medalhas de ouro, a equipe já havia garantido vaga para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, após conquistar o bronze no Mundial anterior, no Rio de Janeiro. O desempenho em Frankfurt consolida o país como uma das potências emergentes da modalidade no cenário internacional.
O feito também chama atenção pela superação de adversárias tradicionais, como China e Bulgária, que dominaram a ginástica rítmica nas últimas Olimpíadas. A vitória na série mista, em especial, veio diante da Espanha, que havia sido campeã geral no dia anterior, mostrando a consistência e a força do conjunto brasileiro em diferentes provas.
Com as duas medalhas de ouro, o Brasil encerra sua participação no Mundial de Frankfurt com um desempenho histórico, que deve impulsionar ainda mais a modalidade no país. A equipe, que já era conhecida pelo apelido de Leoas, agora carrega também o título de campeã mundial, um feito que parecia distante quando ocupava a 26ª posição no ranking mundial.
A conquista foi amplamente celebrada pela Confederação Brasileira de Ginástica e pelos fãs da modalidade, que acompanharam as apresentações das ginastas ao longo da competição. A expectativa agora é que o resultado sirva de inspiração para as próximas gerações e fortaleça o investimento na ginástica rítmica no Brasil, que vive um momento de ascensão no cenário internacional.
Fonte: Agência Brasil.
