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Em um artigo de opinião publicado recentemente, o ativista muçulmano pela paz Loay Alshareef defende que os Manuscritos do Mar Morto representam uma das mais poderosas defesas da legitimidade de Israel, superando até mesmo sistemas de defesa como o Domo de Ferro ou os caças F-35. Para ele, os documentos antigos desmontam a tese, cada vez mais comum em partes do mundo árabe e ocidental, de que a ligação judaica com a terra de Israel seria uma invenção política recente, criada por europeus nos séculos XIX ou XX.
Alshareef, que é árabe muçulmano, linguista e pesquisador sênior do Macdonald-Laurier Institute, com sede em Ottawa, no Canadá, afirma ter passado anos defendendo a paz e a reconciliação entre muçulmanos e judeus. Ele diz nunca ter entendido por que reconhecer a antiga conexão judaica com a região deveria ser visto como uma ameaça aos muçulmanos. Para ele, os Manuscritos do Mar Morto tornam muito difícil sustentar o argumento de que o vínculo judaico com a terra seria uma construção recente.
A história moderna dos manuscritos começou em 1947, quando pastores beduínos encontraram manuscritos antigos em cavernas perto de Qumran, às margens do Mar Morto. Nos anos seguintes, outras cavernas foram descobertas, contendo milhares de fragmentos que representam centenas de manuscritos, datados dos últimos séculos antes da Era Comum e do primeiro século depois de Cristo. Os textos foram escritos por judeus que viveram na região há mais de dois mil anos.
Embora muitos associem os Manuscritos do Mar Morto principalmente a cópias da Bíblia Hebraica, Alshareef ressalta que a maior parte do material encontrado em Qumran não é simplesmente texto bíblico. A coleção inclui regras para comunidades religiosas, orações, discussões legais, interpretações bíblicas, hinos, literatura sapiencial e escritos sobre o fim dos dias. Alguns textos revelam como membros de comunidades judaicas específicas se organizavam, disciplinavam seus membros e entendiam a pureza religiosa.
Para o ativista, os manuscritos permitem entrar no mundo intelectual e religioso de judeus que viveram há aproximadamente dois mil anos. É possível ver como eles oravam, como interpretavam as Escrituras, as divergências sobre a lei religiosa, as expectativas de redenção e do Messias, e até as línguas hebraica e aramaica que utilizavam. Alshareef, que se diz fascinado por línguas, manuscritos e história da religião, considera isso extraordinário.
A proximidade histórica dos manuscritos com o mundo de Jesus também é destacada. Jesus era um judeu galileu, nascido em Belém, no ambiente religioso do judaísmo do Segundo Templo. Os Manuscritos do Mar Morto oferecem uma janela para esse contexto mais amplo. Alshareef não afirma que Jesus tenha entrado na comunidade de Qumran ou segurado algum dos manuscritos encontrados nas cavernas, mas considera inteiramente possível que ele tenha tido contato com textos da mesma tradição escriturística representada pelos pergaminhos, como fez com a tradução grega.
O Evangelho de Lucas descreve Jesus entrando em uma sinagoga, recebendo o rolo de Isaías e lendo a partir dele. Hoje, existe um manuscrito de Isaías descoberto perto do Mar Morto que é anterior à época de Jesus. Para Alshareef, isso tem um significado profundo, especialmente porque, como muçulmano, Jesus também faz parte de sua tradição religiosa. Os muçulmanos o chamam de Al-Maseeh, o Messias, e o Alcorão fala dele com grande reverência.
O autor argumenta que os muçulmanos deveriam ser os últimos a negar a história judaica antiga, já que o Alcorão está repleto da história dos Filhos de Israel (Bani Israel). Moisés é mencionado no Alcorão com mais frequência do que qualquer outro profeta, e o livro sagrado islâmico também fala do rei Davi, Salomão, Aarão, José e das tribos de Israel. O Alcorão reconhece a Torá e coloca sua própria mensagem religiosa em diálogo com as tradições judaica e cristã anteriores.
Alshareef conclui que é profundamente estranho que alguns muçulmanos sintam a necessidade de apagar a história judaica para defender os direitos árabes ou palestinos. Ele acredita que árabes e israelenses, muçulmanos e judeus não precisam permanecer prisioneiros dos conflitos políticos e religiosos herdados de gerações anteriores. Para ele, a paz real não é apenas um tratado entre governos, mas também uma transformação intelectual e cultural. Os Manuscritos do Mar Morto, que passaram quase dois mil anos escondidos em cavernas, ao emergirem trouxeram as vozes de um mundo judaico antigo, e Alshareef defende que devemos ter confiança suficiente em nossas próprias identidades para ouvir essas vozes.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/opinion/undisputed-answer-israels-legitimacy-dead-sea-scrolls.
Fonte: Fox News.
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2026-08-19 05:04:00

