
O Museu do Pontal, no Rio de Janeiro, celebra neste fim de semana seus 50 anos de história e os cinco anos de sua sede na Barra da Tijuca. Para marcar a data, o espaço cultural realiza o Festival 50 anos, com mais de 20 atrações gratuitas, e inaugura a exposição “Véio – A Escuta do Sertão”, a maior mostra panorâmica já dedicada ao artista plástico sergipano Cícero Alves dos Santos, o Véio.
Desde que foi transferido do Recreio dos Bandeirantes para a Barra da Tijuca, há cinco anos, o museu produziu mais de 1 mil espetáculos e oficinas, recebeu mais de 400 mil visitantes e promoveu 17 festivais, que reuniram 80 mil pessoas. A programação do aniversário inclui shows de Lia de Itamaracá, Siba, Mestre Solano & Noites do Norte, Zé Bezerra & Trio Pernambucano, Trio Forrozão, Edmilson dos Teclados e Aturiá, além de manifestações como bumba meu boi, bate-bola e espetáculos circenses. Haverá também exibições de documentários produzidos pelo museu e oficinas para o público infantil.
O diretor executivo do museu, Lucas Van de Beuque, destacou a relação das famílias com o espaço. “Tem famílias que vinham aqui sem estar grávidas, ficaram grávidas, tiveram filhos e hoje vão na roda de bebês que também vai ter e é um grande sucesso. Mais de 1 mil bebês já participaram”, contou em entrevista à Agência Brasil.
A exposição sobre Véio, que será aberta no sábado (29), às 15h30, reúne cerca de 300 obras produzidas ao longo de seis décadas. A mostra está organizada em cinco núcleos que percorrem a trajetória do artista, desde as primeiras esculturas figurativas até os trabalhos inspirados em troncos, raízes e galhos. A curadoria é de Angela Mascelani, diretora do museu, e de Lucas Van de Beuque.
A ligação de Véio com o museu começou nos anos 70, quando o francês Jacques Van de Beuque, fundador do acervo, se encantou com as peças do artista e as incorporou à coleção. O escultor, que já produziu mais de 17 mil peças no sertão de Sergipe, afirma que ter parte de sua criação no Pontal é significativo. “A quantidade para mim é significante porque é em um espaço onde o público é totalmente selecionado para ver e conhecer arte. Então, é uma forma muito importante, nessa razão de estar saindo do sertão para um espaço como o Rio e o Museu do Pontal”, disse.
Véio, que tem 80 anos, trabalha preferencialmente com madeiras como imburana e cedro, por serem resistentes a pragas. “A imburana e o cedro você pode jogar no meio deles [insetos que destroem a madeira] que não chegam nem perto. São as madeiras preferidas não só para mim, mas para todos os escultores que trabalham com arte sacra”, explicou.
A curadora Angela Mascelani define Véio como um artista importante para as artes brasileiras, reconhecido por sua produção e ao mesmo tempo ousado. “O acervo que temos no Museu do Pontal fala muito do Véio cronista, comentarista da realidade sertaneja e mais do que isso, desvelando uma outra perspectiva de sertão”, afirmou.
O Festival 50 anos foi batizado pela direção de “Festival dos Festivais” e terá como homenageada a cantora Lia de Itamaracá, que se apresentou no primeiro festival realizado na sede nova, o Arraiá do Museu de 2022. “Ela foi a grande atração nestes cinco anos, não podia ser outra pessoa que não fosse a Lia. Crianças receberam o nome de Lia aqui no museu, por conta do show”, lembrou Lucas. Em vídeo enviado à Agência Brasil, a artista declarou: “O meu sentimento é estar aí com vocês. Recebi o convite maravilhosamente. Estou emocionada, ai mamãe. Estou chegando e quero ver todos vocês bem pertinho. Vamos lá? Lia tá chegando”.
O museu funciona de quinta a domingo, das 10h às 18h, com acesso às exposições até as 17h30. Para facilitar o deslocamento, serão oferecidas vans gratuitas a partir da Estação Jardim Oceânico do metrô e do terminal de ônibus Alvorada. O Museu do Pontal tem patrocínio master da Shell, patrocínio estratégico da Vale, e conta com Repsol Sinopec Brasil e Itaú como patronos, além do apoio da Prefeitura do Rio, por meio da Lei Rouanet.
Análise WeekNews: A celebração conjunta dos 50 anos do museu e dos cinco anos da nova sede evidencia a consolidação do Pontal como um polo de difusão da arte popular no Rio de Janeiro. Os números de público e a realização de 17 festivais em cinco anos sugerem que a mudança para a Barra da Tijuca ampliou o alcance do espaço, que agora se firma tanto como museu quanto como ponto de encontro para manifestações culturais. A escolha de Véio para a exposição de aniversário reforça o papel do museu na valorização de artistas de origem popular, conectando o acervo histórico a uma produção contemporânea de reconhecimento nacional.
Fonte: Agência Brasil.
