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A estiagem na Amazônia deve se prolongar até o início do próximo ano, mantendo os rios em níveis baixos e dificultando a recuperação das vazões. A avaliação foi divulgada nesta terça-feira (1º) pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), em Manaus, que projeta cenários para as cotas dos principais rios da região. Segundo a instituição, a atual vazante pode alcançar proporções históricas, com impactos diretos sobre a logística e sobre comunidades ribeirinhas e indígenas.
O pesquisador André Martinelli explicou que os cenários foram construídos com base em anos de forte influência do El Niño, especialmente 2015 e o evento de 2023/2024, que levou às menores cotas já registradas na maioria das estações de monitoramento da bacia amazônica. Se o padrão climático atual se assemelhar ao de 2015, a capital amazonense pode registrar cota de 12,92 metros; se seguir o comportamento de 2024, o nível ficaria em 16,32 metros.
Martinelli alertou que níveis abaixo de 14 metros representam situação extrema, com consequências graves para o polo industrial e para a logística de Manaus. “Quando você baixa de 14 m, a gente vai para um nível mais extremo, vivenciando aquilo que foi visto em 2023 e 2024: as cenas de terra arrasada”, afirmou. Ele acrescentou que um cenário semelhante ao de 2015 se aproximaria desse quadro catastrófico.
As estimativas consideraram três estações de referência: Tabatinga, no alto Rio Solimões; Manaus, pela relevância econômica e socioambiental; e Itacoatiara, ponto estratégico para a logística estadual. O SGB informou que os dados servirão para orientar gestores públicos e defesas civis estaduais e municipais na adoção de medidas para reduzir os impactos socioeconômicos e ambientais da estiagem.
Análise WeekNews: A persistência da seca na Amazônia, projetada pelo SGB, tende a agravar problemas já conhecidos na região, como o isolamento de comunidades e a paralisação de atividades que dependem dos rios. A comparação com eventos extremos recentes sugere que, mesmo no cenário menos severo, os níveis previstos para Manaus ficariam próximos de situações que historicamente causaram grandes prejuízos. A divulgação de cenários com antecedência pode indicar uma tentativa de antecipar medidas de mitigação, mas a efetividade dessas ações dependerá da capacidade de resposta dos órgãos públicos diante de um quadro que tende a se prolongar.
Fonte: Agência Brasil.
