Lançamento no Rio celebra trajetória de Helena Theodoro e as Tias Negras

Lançamento no Rio celebra trajetória de Helena Theodoro e as Tias Negras
Fonte da imagem: Agência Brasil


O livro “Dona Helena Theodoro — Uma Tia Negra da Filosofia Popular Brasileira” será lançado nesta quarta-feira (2), na Biblioteca Parque Estadual (BPE), no Rio de Janeiro. A obra, escrita por Carla Rocha, parte de sua tese de mestrado em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e conta a história das chamadas Tias Negras, mulheres que se destacaram pelo acolhimento coletivo e pela preservação da memória de suas comunidades, tendo como fio condutor a trajetória da professora Helena Theodoro.

Helena Theodoro, de 83 anos, é uma liderança na defesa da inclusão dos saberes africanos, afro-brasileiros e indígenas nas universidades. Em entrevista à Agência Brasil, ela explicou o princípio que orienta essa atuação: “No mundo africano é o Bantu, ‘eu sou, porque nós somos. Eu existo, logo penso, e não penso, logo existo’. Nós temos ancestralidade”.

Carla Rocha, que é orientanda de Helena no mestrado e agora no doutorado, destacou a generosidade da professora: “Ela tem um vigor fantástico e não é uma pessoa que busca ser absoluta. Ela quer empoderar todas as pessoas. Quer todo mundo junto com ela, não quer atrás dela. Ela dá a mão para todo mundo”.

A publicação é resultado de uma pesquisa orientada pelo professor Rafael Haddock-Lobo, com coorientação de Marcelo Derzi Moraes. A escolha de Helena Theodoro como tema partiu do orientador. A professora, que participou da banca de defesa de Carla, contou que não sabia do assunto até o momento da apresentação: “Quando chego à banca e ele me entrega a tese, começo a chorar. ‘Como você faz isso comigo?’. Foi assim encantador. Muita emoção”.

Helena Theodoro foi a primeira mulher negra a obter doutorado em filosofia africana, em 1985, tendo concluído o mestrado em 1975. Ela ressaltou que o livro não é uma biografia pessoal, mas um estudo de pensamentos filosóficos e de sua atuação na valorização da comunidade negra. “Fiquei muito feliz porque não é uma coisa presa à minha vida. É um pensamento que venho buscando desde que fiz doutorado”, disse.

A professora também lembrou a influência familiar em sua militância. “Eu tenho 83 anos de idade e continuo na militância, escrevendo e trabalhando porque os meus pais eram militantes. Meu pai dizia que a minha mãe e as irmãs dela formavam a máfia do bem, porque tudo era coletivo”, afirmou. Ela recordou os encontros familiares na casa de tias, na Tijuca e na Ilha do Governador, que reforçavam a visão do Bantu.

Helena Theodoro também falou sobre a superação da morte do filho Maurício, aos 4 anos, em 1981, quando recebeu apoio de representantes da comunidade negra e de terreiros de candomblé. “Eu fui muito amparada pelo Ilê Axé Opô Afonjá, pelo mestre Didi e todo o pessoal. Acho que se não tivesse esse tipo de apoio, não teria conseguido superar. Me fizeram, com 15 dias, voltar para a escola e dar aula”, contou.

O evento de lançamento ocorrerá das 14h às 17h, com a presença de Helena Theodoro e dos professores Rafael Haddock-Lobo (UFRJ), Marcelo José Derzi Moraes (UERJ) e Mariane Biteti (UERJ). A obra também reúne textos de Haddock-Lobo (orelha), Biteti (prefácio), Moraes (apresentação) e Helena Theodoro (posfácio).

Carla Rocha, nascida no Rio e criada em Vicente de Carvalho, na zona norte, é formada em filosofia e jornalismo, além de mestre e doutoranda em filosofia pelo Laboratório Encruzilhadas Filosóficas da UFRJ. Ela também integra o coletivo Mulheres Sambistas e é autora de ensaios e contos pela Festa Literária das Periferias (Flup).

A Biblioteca Parque Estadual é um equipamento da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec-RJ), dedicado à democratização do acesso ao livro, à leitura e à literatura.

### Análise WeekNews

O lançamento de uma obra acadêmica sobre uma figura como Helena Theodoro, em um espaço público de democratização da leitura, reforça a importância de registrar e difundir trajetórias que conectam filosofia, militância e saberes de matriz africana. A publicação, ao mesmo tempo que homenageia uma pioneira, amplia o alcance de um pensamento que historicamente teve menos espaço nos circuitos acadêmicos tradicionais, o que pode contribuir para a formação de novas referências e para o fortalecimento de debates sobre diversidade no ensino superior.

Fonte: Agência Brasil.

Publicidade

Imperdivel!!!

Campeonato Brasileiro
Tabela do Campeonato Inglês (Premier League)
Tabela do Campeonato Espanhol (La Liga)
Tabela do Campeonato Alemão (Bundesliga)
Tabela do Campeonato Francês (Ligue 1)
Tabela do Campeonato Italiano (Serie A)