Candidaturas de autistas crescem cinco vezes e chegam a 70 nas eleições de 2026

Candidaturas de autistas crescem cinco vezes e chegam a 70 nas eleições de 2026
Fonte da imagem: Agência Brasil


O número de candidatos que se declaram autistas nas eleições gerais saltou de 13, em 2022, para 70 em 2026, um aumento de mais de cinco vezes. Os dados foram divulgados pela Agência Brasil nesta sexta-feira (5).

Para a presidenta da Associação Viver Autista (AVA), Simone, o crescimento está ligado ao avanço da ciência, que tem permitido diagnosticar casos antes subnotificados. “Isso não significa que o número de autistas é maior, mas sim que, antes, os casos eram subnotificados”, ponderou. Ela observa que o aumento gradual das candidaturas ocorre em todos os cargos, mas alerta que parte desse interesse pode não vir acompanhado de compromisso real com a causa.

“Muitos candidatos não estão interessados em realmente nos ajudar, mas sim em arregimentar eleitores”, afirmou Simone, acrescentando que, quando a comunidade pede apoio a projetos, muitos políticos condicionam a ajuda à propaganda ou ignoram as necessidades do grupo.

A ativista critica a superficialidade das propostas, que priorizam quantidade em vez de qualidade. “Se uma criança autista precisa de uma psicóloga, não é qualquer psicóloga. É uma profissional com formação específica para atender esta criança”, exemplificou. Ela também questiona promessas como a construção de CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) sem considerar a especificidade dos casos e a necessidade de equipes qualificadas, e defende que os eleitores avaliem com rigor o histórico e a viabilidade técnica das propostas.

O cientista político João Francisco Meira, sócio-fundador do Instituto Vox Populi, vê o fenômeno como parte de uma lógica de segmentação e diferenciação, especialmente nas eleições proporcionais, que elegem vereadores e deputados. Segundo ele, o eleitorado se divide em três grandes categorias ideológicas — centro-esquerda, centro-direita e nichos intermediários — e os candidatos proporcionais buscam se diferenciar em meio a milhares de concorrentes que oferecem propostas semelhantes.

“Alguém que não comungue com suas ideias em geral pode prestar atenção em uma determinada proposta segmentada”, disse Meira, destacando a importância da “economia da atenção” e da diferenciação narrativa. Ele lembra que, a cada eleição, novos temas ganham visibilidade e passam a atrair candidatos e eleitores, à medida que problemas mais amplos, como segurança e saúde, são equacionados ou perdem urgência.

Análise WeekNews: O salto de 13 para 70 candidaturas autistas em quatro anos indica que o tema ganhou espaço na agenda política, mas também expõe o risco de o interesse ser usado apenas como estratégia eleitoral. A fala de Simone sugere que a comunidade está atenta à diferença entre propostas superficiais e ações efetivas, o que pode influenciar a escolha do eleitor nas urnas.

Fonte: Agência Brasil.

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