
O Dia da Amazônia, celebrado neste sábado (5), marca o início da contagem regressiva de 30 dias para as eleições gerais, que ocorrem em 4 de outubro. A coincidência das datas é o mote da quinta edição da Virada Cultural Amazônia de Pé, que adota como tema “Cada voto pela Amazônia conta”. A iniciativa busca incentivar os eleitores a escolherem candidatos comprometidos com a preservação ambiental.
Ao longo do fim de semana, festivais culturais, gastronômicos, musicais e debates ocorrem nas cinco regiões do país. Os eventos são organizados pelo movimento Amazônia de Pé, que reúne mais de 20 mil ativistas e cerca de 300 coletivos e organizações não governamentais. Um mapa com a localização das mais de 300 atividades está disponível na internet.
Na última quinta-feira (3), uma cobra cenográfica de 30 metros foi instalada no Território Indígena Borari, em Alter do Chão, distrito de Santarém (PA), para marcar o início da virada cultural. A alegoria já havia sido exposta em Belém durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em novembro de 2025, como forma de chamar atenção para a necessidade de proteger a maior floresta tropical do mundo.
A codiretora executiva do Amazônia de Pé, Catarina Nefertari, afirmou que a data é uma oportunidade de “falar bem alto que cada voto pela Amazônia conta”. Ela ressaltou a importância de o movimento estar nas ruas para ser visto por quem faz campanha, deixando claro que, muitas vezes, os planos de governo não consideram as soluções e os sonhos de quem vive no território. “A gente vê o Brasil mais atento a esse território, mas a gente ainda tem muito caminho pela frente. A gente só protege aquilo que a gente conhece”, disse.
A ativista, nascida em Belém e criada na chamada Amazônia urbana, definiu a virada cultural como “um levante pelo país inteiro” e uma forma de a sociedade se empoderar.
O Dia da Amazônia é oficializado no Acre e no Amazonas desde 1968, e reconhecido nacionalmente por lei desde 2007. A data remete à criação da Província Amazônica, em 1850, durante o Império. A Amazônia é o bioma de maior extensão do Brasil, ocupando 49,5% do território nacional.
Uma das preocupações do movimento Amazônia de Pé são as Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs). Segundo a codiretora Karina Penha, essas terras ainda dependem de definição oficial de uso e gestão pelo Estado, e, sem destinação para conservação, uso sustentável ou reconhecimento territorial, ficam mais suscetíveis a crimes ambientais.
Dados recentes apontam avanços na proteção da floresta. O Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), registrou queda de 36,87% no desmatamento da Amazônia entre agosto de 2025 e julho de 2026, com 2.874,38 km² sob alerta, o menor índice da série histórica iniciada em 2016. Já o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Imazon, indicou que 60% das terras indígenas na Amazônia tiveram desmatamento zero no mesmo período.
Nas eleições deste ano, os eleitores escolherão deputados federais, estaduais e distritais, governadores, senadores e presidente da República. O segundo turno está marcado para 25 de outubro e poderá ocorrer nas disputas para governador e presidente em cidades com mais de 200 mil eleitores, caso nenhum candidato ultrapasse 50% dos votos válidos no primeiro turno.
Análise WeekNews: A realização da Virada Cultural Amazônia de Pé no mesmo período das eleições indica uma tentativa de transformar a pauta ambiental em critério de voto. A proximidade entre o Dia da Amazônia e o pleito tende a ampliar a visibilidade do tema, especialmente após a queda histórica do desmatamento, o que pode pressionar candidatos a incluir propostas concretas de preservação em seus planos de governo.
Fonte: Agência Brasil.
