
O Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB RJ) recebe, até 16 de novembro, a exposição Amazônicas: Poéticas femininas, que reúne 80 obras de 21 artistas mulheres de diferentes gerações do Pará, Acre e Amazonas, incluindo a Ilha de Marajó. A mostra gratuita ocupa todas as salas do segundo andar do CCBB e foi inaugurada na semana em que se celebra o Dia da Amazônia, em 5 de setembro.
Idealizada pelo Museu das Mulheres (Museu DAS), a exposição já passou por Belém, Fortaleza e Brasília antes de chegar ao Rio. A diretora artística e curadora Sissa Aneleh afirmou que a seleção partiu de suas pesquisas de mestrado e doutorado sobre a produção de mulheres da Amazônia, nas quais identificou uma tradição artística na região. Segundo ela, as obras vão desde a década de 1970 até peças mais antigas, que completarão 100 anos, além de trabalhos de arte moderna do norte do Brasil.
A curadora destacou que, pela primeira vez, uma exposição reúne obras de Manaus e Belém, dois centros culturais representativos do território amazônico. “O que pude conferir é que a Amazônia é muito artística. A gente fala muito da fauna e da flora, mas tem uma população lá que já tem um capítulo da história da arte brasileira”, disse.
A seleção priorizou artistas cujo conjunto de obras reflete a permanência do universo amazônico e a presença do universo feminino. Entre os trabalhos, Sissa citou uma foto performance de Val Sampaio, que retrata uma indígena escravizada que, ao se libertar, foi para a cidade e tornou-se matriarca. Em Manaus, a curadora destacou a presença de Wɨra Tini, grafiteira autora do primeiro grafite em grande escala feito por uma mulher na cidade, em homenagem à mulher indígena mãe. A pesquisa também revelou um forte apego das artistas ao território, que se torna temática e suporte das obras.
A mostra inclui ainda trabalhos de Keila-Sankofa, que abordam a identidade afro-indígena do norte do Brasil. “No geral, o Brasil separa a cultura indígena da cultura afro. Na Amazônia isso chega a ser um mito e uma identidade muito forte”, afirmou a curadora.
A exposição traz três obras inéditas no país, vindas da Pinacoteca do Estado do Amazonas, em Manaus, assinadas por duas pioneiras: Rita Loureiro, pintora ativa desde as décadas de 1960 e 1970, e Maria Auxiliadora Zuazo, gravurista com produção também na década de 1970.
A mostra está dividida em quatro núcleos temáticos: Materialidades Ancestrais, Gravura Feminina, Amazônia Pictórica e Performáticas, que abordam questões de gênero, regionalismo, identidade nacional e diversidade. As obras incluem pintura, escultura, fotografia, gravura, objeto, arte digital e videoarte.
Entre as artistas participantes estão Auá Mendes, Bárbara Savannah, Cristiane Martins, Diná Oliveira, Elaine Arruda, Elieni Tenório, Keila-Sankofa, Lise Lobato, Lúcia Gomes, Maria Auxiliadora Zuazo, Nina Matos, Rafa Bqueer, Rafaela Kennedy, Rafaela Moreira, Renata Aguiar, Rita Huni Kuin, Rita Loureiro, Sanchris, Val Sampaio, Wɨra Tini e Yaka Huni Kuin.
A exposição conta com recursos de acessibilidade, como obra tátil, audiodescrição e intérprete de Libras. Também estão previstas visitas guiadas com a curadora, palestras com artistas e o lançamento de catálogo. O vídeo coletivo “Mensagem para a Amazônia”, construído ao longo da itinerância com a participação do público, integra a mostra como um convite à reflexão sobre a preservação ambiental.
No Espaço Petrobras Amazônicas, o público poderá vivenciar uma experiência imersiva com realidade aumentada e óculos 3D, incluindo um filme em realidade virtual com visão em 360 graus. A programação inclui ainda oficinas de economia criativa voltadas ao desenvolvimento profissional de mulheres em áreas técnicas e artísticas, além de atividades educativas para o público infanto-juvenil, como a oficina Sons da Natureza.
A exposição funciona de quarta a segunda-feira, das 9h às 20h, fechando às terças. A entrada é gratuita, com ingressos disponíveis no site bb.com.br/cultura ou na bilheteria do CCBB, na Rua Primeiro de Março, 66, Centro. O evento foi aprovado na Seleção Petrobras Cultural e conta com patrocínio da Petrobras, via Lei Rouanet, com realização do Ministério da Cultura e apoio do CCBB.
Análise WeekNews: A itinerância da mostra por diferentes capitais e a inclusão de obras inéditas de acervos públicos reforçam o movimento de valorização da produção artística feminina amazônica no circuito nacional. A diversidade de linguagens e a articulação entre arte, memória e questões sociais indicam um esforço para ampliar a representatividade de narrativas historicamente marginalizadas no cenário cultural brasileiro.
Fonte: Agência Brasil.
