
Enquanto o desfile cívico-militar de 7 de Setembro ocupava a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, vendedores ambulantes percorriam as margens do evento em busca de sustento. Entre eles, o autônomo Renato Siqueira, de 53 anos, conhecido como Palhaço Bolinha, equilibrava 30 quilos de balões e algodões-doces sobre o ombro esquerdo. Com maquiagem escorrendo pelo suor, ele afirmou: “A gente não pode parar. Mas vai fazendo graça”.
Há oito meses, Siqueira trabalha em frente a escolas, mas na data comemorativa precisou acordar às 4h30 para tentar aumentar os rendimentos. Morador de Água Quente, região administrativa a 45 quilômetros de Brasília, ele nasceu em Anápolis (GO) e mudou para a capital há 20 anos. Com estudo até o 8º ano, o ambulante vende algodões-doces por R$ 10 e balões por R$ 20, produtos que recebe do fabricante diretamente nas ruas. Ele conta que datas como o Desfile da Independência, Dia das Crianças e Ano Novo são as melhores para as vendas. Antes de se dedicar ao comércio informal, trabalhava vendendo planos funerários por um salário mínimo, mas preferiu a atual atividade, mesmo com o peso nas costas.
Outro ambulante no local, Gustavo Ferreira, de 30 anos, cobrador de ônibus, equilibrava churros de doce de leite e chocolate, vendidos a R$ 10, com cuidado para não derramar o recheio. Ele também madrugou: “Acordei às 4h e a gente está na luta”.
Já Samuel Santos, porteiro de prédio que vive em Planaltina, a 40 quilômetros de Brasília, estava estreando na venda de água de coco na Esplanada. “Estou experimentando essas vendas de água de coco aqui na Esplanada dos Ministérios. Estou estreando, na verdade. Se der certo, eu vou continuar”, disse. Ele saiu direto do trabalho na portaria para o comércio informal, sem tempo para lazer, priorizando o sustento dos dois filhos.
Sob o sol forte, o paraibano Reinivaldo Garcia, de 54 anos, natural de Brejo da Cruz, vendia bonés e chapéus por R$ 20. Ele estudou até a terceira série do primário e destacou a importância dos estudos para os filhos: “Eu digo aos meus dois filhos que eles precisam estudar sempre para não ficar nesse sol como eu. Tem que ser independente, né?
Fonte: Agência Brasil.
