
A 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro tem início nesta sexta-feira (11), no Cine Brasília, após um episódio que envolveu o cancelamento e a confirmação do evento em um intervalo de poucas horas. A abertura está marcada para as 19h30, com a exibição do filme A Pele Morta, de Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres.
O festival recebeu 1.928 inscrições, número recorde para o evento, das quais mais de 70 filmes foram selecionados para as mostras competitivas de longas e curtas, mostras paralelas e sessões especiais. A sessão Vozes e Lutas reúne obras notabilizadas pela retratação de movimentos políticos e culturais, entre elas Pontos de Partida, do cineasta Silvio Tendler, morto em setembro do ano passado.
A reviravolta ocorreu depois que a organização já havia selecionado a maior parte dos filmes e encaminhado toda a programação. O governo do Distrito Federal comunicou o cancelamento alegando falta de verba. A notícia se espalhou rapidamente e mobilizou a classe artística. Horas depois, a governadora Celina Leão publicou em suas redes sociais a determinação para que a Secretaria de Economia providenciasse os recursos necessários para a realização do festival.
A diretora-geral do festival, Sara Rocha, afirmou à Agência Brasil que as expectativas são as melhores possíveis e destacou a presença de filmes de Brasília com vínculos fortes com o Distrito Federal. Um dos exemplos é o próprio filme de abertura: A Pele Morta foi concebido pelo diretor Geraldo Moraes, radicado em Brasília e morto em 2017, e resgatado e dirigido por seus filhos.
Outro destaque desta edição é a apresentação, em primeira mão, de três episódios da série Delegado, dirigida por Marcelo Lordello e Leonardo Lacca, no sábado (12), às 18h, no Cine Brasília. A série é produzida por Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, responsáveis por O Agente Secreto, grande sucesso do cinema nacional no ano passado.
Criado em 1965, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o mais longevo do país e se consolidou ao longo das décadas como espaço de debate sobre o audiovisual brasileiro. O evento deixou de ser realizado em apenas dois anos durante a ditadura militar e, na pandemia, ocorreu de forma virtual. Desde 2007, é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal.
“Um patrimônio não é cancelável. O festival é um patrimônio tombado formalmente e afetivamente, não só por Brasília, mas por todo o Brasil. A gente está muito feliz e orgulhoso de poder entregar mais uma edição do festival. Que todo mundo possa aproveitar com a gente”, declarou Sara Rocha.
A diretora-geral também manifestou a expectativa de superar o número de espectadores e de abraçar o público, os realizadores e toda a comunidade cultural. “A cada edição do festival que se realiza, amplia um pouco mais esse lastro”, disse.
Análise WeekNews: O episódio que antecedeu a abertura desta edição expôs uma característica do festival que os números ajudam a dimensionar. Com 1.928 inscrições, recorde de inscrições, e mais de 70 filmes selecionados, o evento já havia cumprido etapas significativas de sua organização quando o cancelamento foi comunicado. A reversão em poucas horas, após mobilização da classe artística e determinação da governadora, indica que o festival ocupa uma posição institucional difícil de ser desfeita por decisão orçamentária isolada. O fato de ser patrimônio imaterial do Distrito Federal desde 2007 e de só ter deixado de ocorrer em dois anos durante a ditadura militar reforça esse entendimento. Na prática, a edição de 2026 começa preservando a continuidade de uma trajetória iniciada em 1965, ainda que o caminho até a abertura tenha sido marcado por incerteza.
Fonte: Agência Brasil.
