
World Soccer Talk.
Meses após a eliminação da Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo de 2026, o técnico Thomas Tuchel afirmou que a derrota por 2 a 1 para a Argentina, em Atlanta, continua sendo uma ferida pessoal. As declarações foram feitas em entrevista ao ex-atacante Daniel Sturridge e integram o trailer do documentário da FA sobre a campanha inglesa no torneio, intitulado “Reflections: England’s World Cup Journey”, com lançamento exclusivo no aplicativo da seleção em 16 de setembro.
“É um caminho muito, muito difícil de percorrer, que pode te torturar, e vocês podem tentar me matar aqui, mas é a minha cicatriz. Não é a sua cicatriz. Eu tenho que viver com isso”, disse Tuchel. “Eu estou no comando aqui e tomo essas decisões. É a cicatriz dos jogadores e é a minha cicatriz, e eu tenho que viver com isso e continuar.”
O treinador alemão, que vinha sendo alvo de críticas após a queda, também rebateu a ideia de que poderia ter evitado o resultado com uma substituição diferente. “Ninguém está mais machucado do que eu. Ninguém queria mais do que eu. E você pode se torturar infinitamente pensando se teria feito uma substituição diferente e então teríamos vencido a partida. Você simplesmente não sabe”, acrescentou.
A Inglaterra esteve a poucos minutos de alcançar sua primeira final de Copa do Mundo desde 1966. O time inglês sustentava a vantagem construída por Gordon no segundo tempo, mas a Argentina empatou com Enzo Fernández aos 85 minutos e virou com Lautaro Martínez já nos acréscimos, garantindo a classificação de Messi e companhia.
Além do impacto emocional, Tuchel analisou a postura ofensiva adotada por Lionel Scaloni quando a Argentina ficou atrás no placar. “O nível de loucura que a Argentina trouxe, uma mudança atrás da outra, uma substituição ofensiva após a outra. Eles nunca teriam feito aquelas mudanças se não estivessem perdendo por 1 a 0. Era um 3-1-6. Quem joga com um 3-1-6?”, questionou, referindo-se à formação ultraofensiva com que os argentinos terminaram a partida.
O técnico inglês também rejeitou a percepção de que sua própria abordagem teria sido excessivamente cautelosa, citando situação semelhante vivida pela Inglaterra mais cedo no torneio, contra a Noruega. “Poderíamos ter feito isso e talvez perdido de 2 a 1, e as pessoas teriam dito: ‘Ele está louco? Ele fez isso contra a Noruega, terminou o jogo com cinco atrás. Por que não terminou o jogo (contra a Argentina) com cinco?’. Essa era simplesmente a minha solução para o problema. Eu estava tentando ajudar”, explicou.
Apesar do desgaste, a derrota em Atlanta não abalou a posição de Tuchel na federação inglesa. Com a medalha de bronze conquistada no torneio, o treinador segue focado em comandar a Inglaterra na Eurocopa de 2028, carregando a cicatriz da eliminação.
Análise WeekNews: A fala de Tuchel expõe uma tensão comum a treinadores de seleções em torneios de jogo único: a leitura de que decisões pontuais definem o resultado, ainda que o próprio técnico reconheça que não há como saber o desfecho de um caminho alternativo. A opção da Argentina por sacrificar estrutura defensiva em busca da virada, descrita por Tuchel como um 3-1-6, contrasta com a escolha inglesa de preservar a vantagem construída. O relato sugere que a eliminação segue como referência central na avaliação do trabalho do treinador, mesmo com a permanência dele no cargo e a projeção voltada para a Euro 2028.
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Fonte: World Soccer Talk.
World Soccer Talk.
2026-09-16 20:08:00
