
A criação do município de Boa Esperança do Norte, o mais novo do Brasil, alterou o mapa da produção agrícola nacional e tirou Sorriso, no norte de Mato Grosso, do topo do ranking dos maiores produtores do país. Segundo a Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a liderança em valor de produção passou para Sapezal, também em Mato Grosso, seguido por São Desidério, na Bahia.
Sorriso, conhecido como “capital do agronegócio”, perdeu área plantada com a emancipação de Boa Esperança do Norte, criada em territórios que antes pertenciam a Sorriso e a Nova Ubiratã. A redução de 9,3% na área plantada impactou diretamente as lavouras de soja, algodão e feijão do município.
Ainda assim, o valor da produção agrícola de Sorriso cresceu em 2025, alcançando R$ 8,16 bilhões, mas ficou atrás de Sapezal (R$ 8,59 bilhões) e São Desidério (R$ 8,22 bilhões). No ano anterior, Sorriso liderava com R$ 7,2 bilhões, à frente de São Desidério (R$ 6,6 bilhões) e Sapezal (R$ 5,9 bilhões).
O IBGE explica que o novo campeão, Sapezal, teve crescimento de 46,6% no valor da produção, impulsionado principalmente pelo algodão herbáceo, que responde por 60% do total (R$ 5,13 bilhões) e rendeu 1,2 milhão de toneladas em 2025. O município também registrou avanço na soja (51,4%), que gerou R$ 2,8 bilhões, e no milho (58,1%), com R$ 656,9 milhões. Já São Desidério viu seu valor de produção crescer 23,7%.
A mudança no ranking decorre da instalação oficial de Boa Esperança do Norte em 1º de janeiro de 2025. A cidade foi criada por lei estadual em 2000, mas uma decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, no mesmo ano, apontou a criação como inconstitucional. A Assembleia Legislativa recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a criação do município em outubro de 2023. O novo município tem população estimada em 5,9 mil pessoas, enquanto Sorriso conta com 124,7 mil habitantes.
No total, o valor da produção agrícola brasileira em 2025 foi de R$ 927,2 bilhões, um salto de 18,4% em relação a 2024. Mato Grosso segue como principal estado produtor, com R$ 165,6 bilhões, e abriga cinco dos dez municípios com maior valor de produção do país.
Além de Sapezal, São Desidério e Sorriso, completam a lista Campo Novo do Parecis (MT), com R$ 7,87 bilhões; Formosa do Rio Preto (BA), com R$ 5,89 bilhões; Diamantino (MT), com R$ 5,82 bilhões; Rio Verde (GO), com R$ 5,69 bilhões; Cristalina (GO), com R$ 5,45 bilhões; Nova Mutum (MT), com R$ 5,39 bilhões; e Jataí (GO), com R$ 4,84 bilhões. Com exceção de Sapezal, cujo principal produto é o algodão, todas as demais cidades do ranking têm a soja como carro-chefe.
Análise WeekNews: A perda da liderança por Sorriso não reflete queda na produção local, que cresceu em valores absolutos, mas sim um rearranjo territorial que redistribuiu parte de sua área agrícola para o novo município. O caso evidencia como mudanças político-administrativas podem alterar rankings econômicos sem que haja, necessariamente, mudança no desempenho produtivo das lavouras. O avanço de Sapezal, impulsionado pelo algodão, e a consolidação de Mato Grosso com cinco municípios entre os dez maiores produtores reforçam a concentração da produção agrícola de alto valor no Centro-Oeste e no oeste da Bahia.
Fonte: Agência Brasil.
