Hitzlsperger relata dificuldade de aceitar papel secundário no fim da carreira e defende o uso de dados no futebol




Hitzlsperger relata dificuldade de aceitar papel secundário no fim da carreira e defende o uso de dados no futebol
Fonte da imagem: World Soccer Talk

World Soccer Talk.

O ex-jogador alemão Thomas Hitzlsperger, de 44 anos, revelou em entrevista exclusiva ao World Soccer Talk que a perda de protagonismo no fim da carreira foi um dos fatores que o levaram a encerrar a trajetória nos gramados em 2013. Segundo ele, depois de passar uma década na base do Bayern de Munique, cinco anos no Aston Villa e quatro anos e meio no Stuttgart, a sequência de transferências a cada seis ou doze meses tornou-se insustentável.

“Havia vários fatores para eu ter me aposentado cedo, mas depois de jogar 11 anos na academia do Bayern, cinco anos no Aston Villa e quatro anos e meio no Stuttgart, eu queria ficar em um lugar por mais tempo, e de repente eu ficava mudando de clube a cada 6 ou 12 meses”, afirmou. “Isso foi difícil porque minha vida tinha mudado, minha perspectiva de vida tinha mudado, e eu não era mais o jogador disputado, e de repente você é apenas o número 20 do elenco.”

O meia-atacante, nascido em Munique, na então Alemanha Ocidental, iniciou a carreira no VfB Forstinning antes de se destacar nas categorias de base do Bayern. Deixou o clube bávaro em 2000 para o Aston Villa, com breve empréstimo ao Chesterfield, e marcou época na Premier League com 12 gols e 14 assistências em 114 partidas. Ficou conhecido como “Der Hammer” pelos chutes potentes de perna esquerda de longa distância, com destaque para um gol de 30 jardas nos acréscimos que garantiu vitória sobre o rival West Bromwich Albion.

“Eu sempre tive esse talento quando criança: a habilidade de chutar muito forte. Quando você tem essa capacidade e ela se destaca tão cedo, você continua usando, porque sabe que isso te separa dos outros”, contou. “Continuei treinando e virou minha marca. Por outro lado, eu era bem lento, então ter esse dom significa abrir mão de outra coisa.”

O alemão também comentou a evolução do futebol sob a ótica dos dados. Para ele, o uso de métricas como o Expected Goals (xG) oferece uma boa orientação sobre o jogo, ainda que não explique tudo. “Quando você chega à conclusão de que a maioria dos gols é marcada em determinada área da grande área, faz sentido”, disse, citando o basquete e a referência de Stephen Curry nos arremessos de longa distância. “Isso força outras equipes a criar novas ideias, porque se você defende recuado, mas o adversário tem alguém que chuta de 30 jardas, precisa mudar a tática.”

O jogador defende que o esporte siga evoluindo em detalhes táticos e de análise, sem medidas que classificou como exageradas, e critica mudanças como a venda de direitos de Copas do Mundo ou a anulação de cartões vermelhos.

Após deixar o Stuttgart em 2010, Hitzlsperger passou por Lazio, West Ham, Wolfsburg e Everton até encerrar a carreira em 2013. Pela seleção alemã, somou 52 convocações e conquistou a prata na Eurocopa de 2008, além do bronze na Copa das Confederações de 2005 e na Copa do Mundo de 2006. No Stuttgart, marcou o gol de empate na última rodada da temporada 2006/07 contra o Energie Cottbus; se o clube tivesse perdido, o Schalke teria ficado com o título. Sami Khedira completou a virada e garantiu o primeiro título alemão do clube em 15 anos.

Quatro meses depois de se aposentar, tornou-se o primeiro jogador de futebol de alto perfil a assumir publicamente sua homossexualidade. Uma década se passaria até que Jakub Jankto se tornasse o primeiro atleta em atividade a fazer o mesmo. Desde então, Hitzlsperger acumulou funções: administra o restaurante L’Escargot, em Londres, ampliou a carreira na mídia com ESPN, Fox Sports e Sky Germany, e voltou ao Stuttgart entre 2019 e 2022, onde subiu de diretor esportivo a CEO. Atualmente, atua como membro de conselho ou coproprietário em três clubes: Aalborg, VVV-Venlo e Hellas Verona.

Análise WeekNews: A trajetória de Hitzlsperger após os gramados mostra uma transição rara no futebol de alto rendimento, com atuação simultânea em gestão de clubes, mídia e negócios. O relato sobre a perda de espaço no fim da carreira evidencia como a rotatividade de transferências pode afetar a adaptação do atleta, enquanto sua defesa do uso de dados indica uma leitura alinhada às práticas adotadas pelos grandes clubes. A combinação de funções em três agremiações europeias e o trabalho na imprensa esportiva sugerem uma inserção profissional que vai além do papel de ex-jogador.

Leia mais aqui em inglês: https://worldsoccertalk.com/news/thomas-hitzlsperger-opens-up-on-the-struggle-to-stay-at-soccers-elite-level-suddenly-you-are-just-a-number-20-on-the-roster/.

Fonte: World Soccer Talk.

World Soccer Talk.

2026-09-17 14:38:00

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