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Enquanto a vida social se desloca cada vez mais para o ambiente digital, um número crescente de americanos tem encontrado um espaço inesperado para convivência presencial: os corredores e praças de alimentação das lojas do Costco. A rede de clubes de compras por assinatura, conhecida pelos pacotes gigantes de mantimentos e produtos domésticos, passou a figurar ao lado de bares, igrejas e parques como um ponto de socialização, amizade e até de reencontros amorosos, segundo reportagem do USA Today.
O fenômeno é descrito por sociólogos como um “terceiro lugar” — um ambiente comunitário de convivência que não é a casa nem o trabalho. Para o analista de consumo Phil Lempert, conhecido como “SupermarketGuru”, a rede transformou a ida ao supermercado em uma experiência que vai além da simples tarefa doméstica. “Você entra para comprar papel-toalha e sai tendo experimentado comida, descoberto algo inesperado e talvez esbarrado em alguém que conhece. O segredo deles é a degustação”, afirmou Lempert à Fox News Digital.
O Costco também aparece como ponto de encontro para grupos específicos. Estudantes da Universidade da Califórnia em Davis, como Sharon Hwang, Katrina Le e Steven Zhang, organizam idas coletivas à loja para refeições na praça de alimentação uma ou duas vezes por trimestre. “Se algo pequeno como uma ida ao Costco pode ajudar alguém a fazer novos amigos ou se sentir um pouco mais conectado, então sinto que realizamos algo”, disse Hwang.
Entre amigos e influenciadores digitais, a loja tem substituído jantares caros. Analyse Talavera e Carmen Rene Smith trocaram encontros em restaurantes por idas ao Costco. “Especialmente nesta economia, em vez de sair e gastar 200 dólares em um jantar — o que Analyse e eu fazemos com frequência —, vamos ao Costco, estocamos comida para a semana e finalizamos com um frozen yogurt de 3 dólares”, contou Smith.
Há mais de 25 anos, dois veteranos militares começaram a se encontrar em uma loja do Costco em Brentwood, no Tennessee, para comer cachorro-quente às sextas-feiras. O grupo de apoio a veteranos do centro do Tennessee, apelidado de “Camp Costco”, continua ativo e hoje reúne cerca de 200 militares de diferentes gerações. “Ninguém se importa com o posto que você ocupou ou em qual força serviu. Todos se misturam”, disse Paul Napoli, veterano da Marinha e integrante do grupo.
Alguns casais adotaram a ida ao Costco como substituta da noite de encontro, chamando o programa de “balada para casados” ou “noite de encontro Kirkland Signature”, em referência à marca própria da rede. Outros usam a loja para encontrar um par, e há relatos em publicações no Reddit de casais que escolheram o Costco como local para a cerimônia de casamento.
O interesse por esse tipo de convivência ocorre em um cenário de erosão das conexões presenciais. Segundo a Pesquisa Americana de Uso do Tempo, do Bureau of Labor Statistics, os americanos hoje dedicam cerca de 35 minutos por dia à socialização, contra 45 minutos há 20 anos, e apenas 30% praticam alguma interação social face a face em um dia típico. Um alerta do cirurgião-geral dos Estados Unidos publicado em 2023 apontou que aproximadamente metade dos adultos relata solidão, e o Survey Center on American Life informa que 44% das pessoas não têm um lugar em sua comunidade para frequentar regularmente.
Os clientes do Costco, por outro lado, são fiéis: fazem em média 31 visitas à loja por ano, segundo a empresa de análise de consumo Numerator. Também mantêm o hábito de usar a praça de alimentação, com gastos comparáveis aos que têm em grandes redes regionais de fast-food, incluindo a In-N-Out. Para Lempert, o modelo de assinatura reforça o aspecto social e o senso de pertencimento. “A assinatura muda a psicologia das compras — faz a pessoa se sentir especial. Você não é apenas um cliente entrando em uma loja; é membro de um clube. O Costco basicamente fez do cartão de membro parte da identidade do consumidor”, disse.
Análise WeekNews: O caso do Costco ilustra como um modelo de negócio baseado em assinatura e em experiências recorrentes pode ocupar, na prática, um espaço de convivência que vem se reduzindo em outros ambientes. Os dados citados sobre queda no tempo de socialização presencial e aumento da solidão ajudam a explicar por que um local originalmente comercial passa a ser tratado como ponto de encontro. A recorrência das visitas — em média 31 por ano — e a existência de grupos organizados em torno da loja sugerem que o vínculo criado não depende apenas da oferta de produtos, mas da repetição do ritual.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/food-drink/costcos-unexpected-new-role-americans-love-lives-secret-sauce-sampling.
Fonte: Fox News.
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2026-09-17 15:35:00
