
Milhares de crianças em Gaza retomaram as aulas presenciais no sábado (20), pela primeira vez em quase três anos, segundo a Reuters. Sem salas convencionais em grande parte do território, os estudantes estão sendo acomodados em prédios escolares danificados, estruturas improvisadas e tendas.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) afirma que 98% das escolas em Gaza foram destruídas ou danificadas durante a guerra. Autoridades educacionais de Gaza indicam que cerca de 660 mil alunos ficaram privados do ensino presencial e da participação regular na educação no período.
A reabertura ocorre após um conflito que matou cerca de 22 mil alunos e mais de 770 profissionais da educação, incluindo 532 professores, de acordo com Ibrahim Ramadan, diretor de Educação de Khan Younis Oriental.
Para o estudante Moayed Abu Mustafa, de Khan Younis, a volta às aulas representa um recomeço. “A última vez que fui à escola foi há três anos. Agora, estamos começando o ano letivo; é um ano de alegria, felicidade e sucesso”, disse ele. Mustafa afirmou que está determinado a aprender mesmo tendo de se sentar no chão de uma barraca sem ventilação, sem sapatos adequados, caderno ou caneta, e após ter perdido amigos durante a guerra. “Apesar de tudo isso, vamos aprender, vamos aprender mesmo que seja em uma barraca.”
Samar Abu Salmi, aluna deslocada de 15 anos que vive com a família em uma barraca, também retornou às aulas. “Estudávamos nos celulares e não víamos nossos professores. Agora, estamos de volta, perseguindo nosso sonho, de uma barraca para outra”, disse ela, no pátio de sua nova escola improvisada. A estudante relata que não tem grande parte do material escolar essencial, que se tornou inacessível para sua família. “Antes da guerra, tudo estava ao nosso alcance – cadernos, canetas, produtos, roupas, passeios, coisas que podíamos comprar por um preço baixo”, afirmou.
Apesar da devastação, o Ministério da Educação, com apoio de organizações internacionais e locais, deu continuidade ao ano letivo de 2026-2027, criando dezenas de escolas temporárias feitas de barracas, lonas, chapas de metal e madeira. Algumas foram erguidas em solo arenoso; outras têm salas de aula com apenas alguns colchões e um quadro, nas quais os alunos se amontoam. Há ainda estruturas que abrigam dezenas de famílias deslocadas.
Em outra escola, Yamen Abu Samra, de 14 anos, descreveu o clima diferente do período anterior ao conflito. “Costumávamos acordar felizes para ir à escola. Agora, quando chegamos à escola, temos medo de balas perdidas, foguetes, ataques, tudo”, disse. “Agora, estou sentado em uma barraca que não tem absolutamente nada, apenas o sol e o calor”, acrescentou.
Segundo autoridades da área de educação, estima-se que pelo menos 540 mil alunos frequentem aulas presenciais este ano em escolas particulares improvisadas, centros de aprendizagem temporários e pontos educacionais, com o apoio do Unicef.
Fonte: Agência Brasil.
