Dólar sobe a R$ 5,19 com aversão a risco e Ibovespa cai 0,99%

Dólar sobe a R$ 5,19 com aversão a risco e Ibovespa cai 0,99%
Fonte da imagem: Agência Brasil


Em um dia de nervosismo nos mercados doméstico e internacional, o dólar comercial encerrou a quinta-feira (24) vendido a R$ 5,193, alta de 0,47%, aproximando-se do patamar de R$ 5,20 e atingindo o maior nível desde o fim de agosto. O Ibovespa recuou 0,99%, aos 183.965,91 pontos, abaixo da marca dos 184 mil.

A cotação começou o dia em R$ 5,16 e chegou a R$ 5,202 na máxima, por volta das 15h. Com o resultado, a moeda americana acumula alta de 0,26% em setembro, mas ainda registra queda de 5,39% no ano.

O movimento seguiu o comportamento do dólar no exterior. O índice DXY, que mede a moeda em relação a uma cesta de seis divisas, subia 0,14%, aos 101,270 pontos, por volta das 17h. A alta ganhou força ao longo da manhã, acompanhando a elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, em meio a preocupações com a inflação americana e à perspectiva de manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve. O papel de dez anos chegou a 5,2209% no fim da tarde, contra 5,114% na sessão anterior, superando 5% ao ano pela primeira vez desde 2007. Taxas mais altas nesses títulos, considerados os investimentos mais seguros do mundo, estimulam a fuga de capital de países emergentes.

O Banco Central atuou no mercado de câmbio e vendeu US$ 1 bilhão em dois leilões de linha simultâneos, operação em que vende dólares com compromisso de recomprá-los em alguns meses, aumentando a oferta de moeda estrangeira e a liquidez. Na véspera, a autoridade monetária havia informado fluxo cambial negativo de US$ 7,078 bilhões em setembro até o dia 18. Mais cedo, o BC divulgou novas projeções econômicas, com a estimativa de crescimento do PIB em 2026 reduzida de 2% para 1,8% e previsão de 1,4% para 2027.

Na bolsa, o Ibovespa oscilou entre a máxima de 186.211,43 pontos e a mínima de 183.834,97 pontos. O índice acompanhou a piora do ambiente internacional para ativos de risco, especialmente nos mercados emergentes, enquanto o avanço do petróleo reforçou preocupações com a inflação.

O cenário doméstico também entrou no radar após o governo divulgar novas projeções para as contas públicas. Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento reduziram de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões a necessidade de contenção de despesas, mas elevaram a previsão de déficit efetivo para 2026 para R$ 80,9 bilhões. O mercado ainda acompanhava a divulgação de novas pesquisas eleitorais.

No mercado de commodities, o petróleo fechou em forte alta em meio às incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã e sobre a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte da commodity. O Brent subiu 3,41%, a US$ 106,60, e o WTI avançou 2,65%, a US$ 94,61.

Análise WeekNews: a combinação de juros americanos acima de 5% ao ano, pela primeira vez desde 2007, com incertezas geopolíticas no Oriente Médio pressiona ativos de risco em mercados emergentes. No caso brasileiro, o fluxo cambial negativo e a revisão para baixo do crescimento do PIB em 2026 reforçam um ambiente de cautela, que se reflete tanto na cotação do dólar quanto no desempenho da bolsa.

Fonte: Agência Brasil.

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