
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) se reúne nesta sexta-feira (25) para decidir se abre investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por crime comum. A sessão está marcada para começar às 10h e será transmitida pelo canal do MPF no YouTube.
Gonet preside o conselho, mas a condução da sessão caberá ao vice-presidente, Nicolau Dino. Após a abertura dos trabalhos, Dino passará a palavra ao subprocurador Francisco Sanseverino, relator do caso. Em seguida, será aberta a votação, da qual poderão participar mais oito conselheiros.
Se houver maioria pela abertura da apuração, um subprocurador será designado para relatar a investigação contra Gonet. Caso a maioria rejeite a medida, o caso poderá ser arquivado.
A decisão do conselho foi motivada por citações ao nome de Gonet em conversas encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso e teve o aparelho apreendido. As mensagens vieram à tona depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo da parte da investigação que também cita mensagens do ex-banqueiro a um celular atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.
Segundo a PF, Vorcaro intensificou o envio de mensagens ao número atribuído a Moraes nos dias anteriores à sua prisão, ocorrida em 17 de novembro do ano passado. Em 15 de novembro de 2025, o ex-banqueiro demonstrou preocupação com o avanço das investigações da PF, que ainda tramitavam na primeira instância da Justiça Federal em Brasília, e citou os nomes de Gonet e do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Na mensagem, escreveu: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”. Apesar da citação, não há indícios de que Gonet e Andrei tenham interferido nas investigações.
Na semana passada, o jornal O Globo publicou foto na qual Gonet aparece fumando charuto com Vorcaro e outras pessoas ligadas ao ex-banqueiro, durante evento jurídico promovido pelo Master em abril de 2024, em Londres.
Após o surgimento das conversas, Gonet pediu ao STF a anulação do relatório da PF que encontrou as citações. Segundo o procurador, André Mendonça investigou Moraes ilegalmente ao determinar o aprofundamento da apuração sobre o caso Master para esmiuçar as conversas envolvendo o ministro e o ex-banqueiro. No entendimento de Gonet, esse aprofundamento só poderia ocorrer após autorização do plenário da Corte. A análise do pedido de anulação estava prevista para a última quarta-feira (23), mas a sessão foi desmarcada.
Gonet negou proximidade com Vorcaro e afirmou que sua interação com ele ocorreu de forma “brevíssima e banal”.
Análise WeekNews: A sessão desta sexta coloca o próprio presidente do CSMPF na condição de alvo de uma decisão que ele normalmente conduziria. O desfecho depende de maioria entre os conselheiros e pode resultar tanto na designação de um subprocurador para relatar o caso quanto no arquivamento. O episódio também mantém em aberto, no STF, o pedido de Gonet para anular o relatório da PF, cuja análise foi adiada.
Fonte: Agência Brasil.
