
Feed Editoria Radioagência Nacional.
O Festival de Parintins, uma das mais tradicionais manifestações da cultura popular brasileira, é o tema da exposição “Boi-Bumbá de Parintins: do Brincar ao Futuro”, em cartaz no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro, no Rio de Janeiro. A mostra, que está aberta desde julho e segue até 27 de março de 2027, tem entrada franca.
Dividida em três grandes espaços, a exposição reúne 300 peças e vai além do espetáculo protagonizado pelos bois Caprichoso e Garantido. O público encontra também o que sustenta a festa nos bastidores: o trabalho dos artistas envolvidos, as técnicas empregadas, as referências culturais e os saberes das comunidades que mantêm a tradição viva.
Segundo a curadora Rozana Trilha, uma das propostas é aproximar o festival de outras manifestações brasileiras. “A gente quer que a mostra possa dialogar, reverenciar, as tradições do nosso país. Então, a gente está trazendo na primeira sala o Carnaval, o São João, o Círio de Nazaré, o Bumba Meu Boi do Maranhão. E por meio do Boi-Bumbá de Parintins, nós estamos homenageando e fazendo também com que as pessoas possam entender que nós precisamos ter orgulho das nossas manifestações culturais”, afirma.
Entre os destaques estão personagens marcantes do espetáculo, como o Curupira, a Iara e o Boto Cor-de-Rosa. A chamada Sala dos Encantados, conforme a curadora, reúne os “verdadeiros guardiões espirituais da Amazônia”. “Nessa sala, os visitantes vão poder ver o Curupira, a Matita Pereira, a Iara, a Vitória-Régia, o Mapinguari, o Boto Cor-de-Rosa e a Cobra Grande. E para além disso, além da gente trazer o Boi Grande, nós colocamos na exposição também o Mini Boi, o Mini Boi Caprichoso e Mini Boi Garantido”, detalha Rozana.
Os bonecos do Mini Boi, miniaturas de Boi-Bumbá que surgiram do amor das crianças pelo espetáculo, também integram a mostra. De acordo com a curadora, a exposição tem atraído muitos visitantes, incluindo estudantes de diversas escolas, que aprendem mais sobre a cultura popular. “A exposição não é só algo bonito. Eu acho que ela está encantando por conta dessa tradição, porque as pessoas sentem que tem história, porque as pessoas sabem que tem verdade. As pessoas vivem e se emocionam com o festival”, diz.
Realizado anualmente em junho na Ilha de Tupinambarana, no Amazonas, o Festival de Parintins tem raízes no Bumba Meu Boi nordestino. Os bois Garantido, vermelho, e Caprichoso, azul, surgiram no início do século 20 nas camadas populares, quando brincantes dançavam em frente às casas em troca de comida.
Análise WeekNews: ao levar para o Rio de Janeiro não apenas o espetáculo, mas também os bastidores, as técnicas e os saberes comunitários, a mostra amplia o alcance de uma tradição que nasceu nas camadas populares do Amazonas e reforça a relação do festival com outras manifestações da cultura popular brasileira. A presença de estudantes entre os visitantes indica que a exposição também cumpre um papel de transmissão desse patrimônio cultural.
Fonte: Agência Brasil.
