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A Rússia negou que a morte de uma funcionária de laboratório na Sibéria tenha sido causada por peste pneumônica, depois que o caso levantou dúvidas sobre a segurança de instalações que estudam patógenos perigosos. A trabalhadora foi identificada como Darya Shipilova, que atuava em um laboratório na região dedicado à pesquisa de agentes infecciosos, incluindo a peste.
As autoridades sanitárias russas afirmam que a morte não está ligada à peste e que as medidas de precaução adotadas após o episódio estão sendo gradualmente suspensas. Segundo a versão oficial, centenas de pacientes foram isolados e alguns hospitais foram fechados por cautela, sem que houvesse confirmação de um surto da doença.
O caso, no entanto, gerou questionamentos semelhantes aos que cercaram os primeiros meses da pandemia de covid-19. Entre as dúvidas levantadas estão se o patógeno envolvido seria a peste pneumônica, se teria sido modificado em laboratório para se tornar mais resistente a antibióticos e mais transmissível pelo ar, e por que medidas tão amplas foram necessárias se o risco era limitado. As autoridades russas negam todas essas hipóteses.
Estados Unidos e Organização Mundial da Saúde (OMS) pediram detalhes à Rússia sobre o caso, inclusive após relatos de um segundo caso de pneumonia. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, não ofereceu garantias adicionais em suas declarações públicas.
A peste é uma doença antiga e temida. A Peste Negra matou mais de 100 milhões de pessoas no século 14, seis séculos antes da chegada dos antibióticos. Para efeito de comparação, a gripe espanhola de 1918 causou entre 50 milhões e 100 milhões de mortes, e a covid-19 mais de 15 milhões.
No caso atual, se o patógeno for de fato a peste, ele pode não ser muito contagioso, há antibióticos capazes de tratá-la e existe uma vacina que pode ser usada contra a doença, desde que o agente não tenha sido alterado. Nesse cenário, o risco além do caso inicial seria muito pequeno.
Ainda assim, o episódio reacende a lembrança de que acidentes laboratoriais ocorrem com frequência e de que não há uma rede global abrangente de vigilância em saúde preparada para lidar com patógenos perigosos oriundos de locais sensíveis.
O temor de um patógeno desconhecido capaz de provocar uma pandemia global foi o que motivou, há mais de duas décadas, um chamado internacional para a criação de uma rede de cientistas voltada à proteção da população. Essa rede, no entanto, falhou durante a covid-19, quando a OMS declarou em janeiro de 2020 que o problema era apenas regional.
A morte de Darya Shipilova ocorre seis anos após o início da pandemia de covid-19 e traz de volta à memória episódios como o do oftalmologista Li Wenliang, que alertou sobre o novo coronavírus em Wuhan e morreu da doença em fevereiro de 2020, após uma visita policial noturna para silenciá-lo.
Análise WeekNews: O caso envolvendo o laboratório na Sibéria expõe uma lacuna que persiste desde a covid-19: a ausência de um sistema global de vigilância capaz de responder com transparência a incidentes com patógenos perigosos. A negação oficial russa e a suspensão das medidas de precaução encerram o episódio sem respostas públicas sobre o que ocorreu, o que tende a manter a desconfiança sobre a segurança das instalações. Ao mesmo tempo, o fato de a peste ter tratamento e vacina disponíveis, caso o agente não tenha sido alterado, indica que o risco imediato pode ser baixo — mas a incerteza sobre a origem da morte permanece.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/opinion/marc-siegel-russias-mysterious-lab-death-exposes-danger-world-isnt-ready.
Fonte: Fox News.
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2026-10-11 08:55:00

