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O Ministério Público de Minas Gerais denunciou à Justiça sete pessoas suspeitas de envolvimento em abuso sexual, cárcere privado, tortura e outros crimes em clínicas terapêuticas clandestinas no norte do estado. Entre os denunciados está o dono das unidades, apontado como principal suspeito de abusar sexualmente de adolescentes internadas irregularmente nos locais. Ele e outras cinco pessoas foram presas em uma operação conjunta em setembro.
Segundo o Ministério Público, nove adolescentes e quatro mulheres passaram pelas unidades da Clínica Assistencial Fortalecer e do Instituto Feminino Fortalecer entre 2023 e 2026. A maioria das adolescentes foi internada por decisões judiciais de internação compulsória, com as despesas pagas pelos municípios. A lei, no entanto, proíbe a internação compulsória em comunidades terapêuticas, que só podem receber pessoas de forma voluntária.
A denúncia descreve que as vítimas ficavam trancadas nas unidades, sem documentação e sem telefone. O contato com familiares era permitido uma vez por semana, ainda assim sob vigilância. As pacientes eram medicadas com psicotrópicos sem controle médico, amarradas nas camas, obrigadas a trabalhar na fabricação de produtos vendidos pelos investigados e agredidas quando descumpriam a disciplina imposta.
As investigações apontam que várias adolescentes sofreram abusos sexuais do dono das clínicas. O homem já era investigado desde 2022, suspeito de montar o esquema. Algumas das clínicas que ele montou foram interditadas e fechadas após denúncias e fiscalizações, mas outras foram abertas em municípios diferentes, sempre em locais de difícil acesso para dificultar a ação das autoridades. Em 2025, os investigados teriam conseguido escapar de uma operação ao transferir as pacientes de uma das clínicas para outro local pouco antes da chegada da polícia.
De acordo com o Ministério Público, com o início das investigações, vítimas e familiares passaram a ser ameaçados pelos integrantes do grupo. Algumas das adolescentes vítimas dos abusos chegaram a mudar seus depoimentos depois das ameaças. A denúncia também aponta desvio de recursos públicos.
Os sete investigados foram denunciados por organização criminosa, cárcere privado, tortura, estupro, importunação sexual e coação. O Ministério Público informou que outros inquéritos estão em andamento para apurar pelo menos duas mortes de pacientes nas clínicas, outros possíveis crimes sexuais, agressões e ameaças, além da participação de outras pessoas no esquema. Pessoas que passaram pelas clínicas ou seus familiares podem levar informações à Polícia Civil ou ao Ministério Público. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100 e pelo Disque 181.
Fonte: Agência Brasil.
