
O candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (25) que entrará com pedido na Suprema Corte Eleitoral para prorrogar o horário de votação em cidades onde eleitores relataram dificuldades de transporte até os locais de votação no segundo turno. A declaração foi dada à tarde, em Brasília.
Segundo Lula, a medida busca garantir o direito de voto a quem teria sido impedido de comparecer por problemas na circulação de ônibus. “Estamos entrando com o pedido na Suprema Corte Eleitoral para que ela possa prorrogar o processo eleitoral para que as pessoas que foram proibidas de votar por sacanagem de prefeito compareçam para votar”, disse o candidato do PT.
Lula citou nominalmente os prefeitos de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB); de Salvador, Bruno Reis (União Brasil); e de Feira de Santana, Zé Ronaldo (União Brasil), a quem atribuiu tentativa de impedir a população de votar. O candidato afirmou ainda que pedirá a prisão dos três. “Depois das eleições, o próximo passo é pedir a prisão desses prefeitos por crime eleitoral”, declarou. “Ninguém pode desistir de votar porque um empresário sacana ou algum prefeito mau caráter, bandido, tentou evitar que o povo votasse. Quero pedir que o povo não desista de votar”, acrescentou.
O candidato disse ter recebido informações sobre problemas semelhantes em Petrópolis (RJ), Teresina (PI), Lauro de Freitas (BA), Recife (PE), Maceió (AL) e João Pessoa (PB).
Na Bahia, eleitores relataram demora e dificuldades na circulação de ônibus. Segundo o governo do estado, fiscais encontraram veículos aptos a operar que permaneciam nas garagens durante vistoria feita no dia da votação. O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, afirmou ter recebido do sindicato dos trabalhadores do transporte a informação de que motoristas não teriam sido convocados para operar toda a frota. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou o restabelecimento imediato da frota integral do transporte público de Salvador.
Em São Paulo, o diretório estadual do PT notificou o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) sobre problemas na circulação de ônibus. De acordo com o presidente estadual do partido, Kiko Celeguim, 60% da frota estava em operação, quando deveria ser 100%. A prefeitura paulistana informou ter recebido notificação do TRE ainda no sábado (24) a respeito do funcionamento da frota e relatou dificuldades para ampliá-la “em prazo tão reduzido”, o que teria gerado desafios como a “readequação das escalas de trabalho e rotinas previamente estabelecidas”.
Análise WeekNews: O pedido de prorrogação e as notificações aos tribunais eleitorais deslocam para a esfera judicial a disputa sobre a circulação de ônibus no dia da votação. Como as informações sobre a frota partem de lados distintos — governo estadual, sindicato, partido e prefeitura —, o episódio indica que a controvérsia sobre o transporte tende a permanecer nos tribunais eleitorais após o encerramento da votação.
Fonte: Agência Brasil.
