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O Observatório do Clima recebeu com expectativa a reeleição do presidente Lula e espera que o novo mandato preserve as conquistas ambientais e climáticas do período anterior. A entidade, que reúne 172 organizações em defesa da pauta ambiental, classificou a vitória como demonstração de resiliência do regime democrático.
O principal desafio apontado pela organização está no Legislativo. Segundo o Observatório, sete em cada dez deputados e senadores eleitos são contrários à agenda de clima e meio ambiente, cenário que, na avaliação da entidade, exige do Executivo reforço na atuação junto ao parlamento e ampliação de alianças.
O coordenador de política internacional do Observatório, Claudio Angelo, afirmou que a negociação com o Congresso será delicada. Para ele, o governo precisará avançar em outras áreas sem abrir mão da pauta ambiental. “O desafio do governo Lula vai ser negociar com esse Congresso, sem rifar a agenda ambiental, porque o Lula vai precisar fazer coisas em outras áreas e a tentação de entregar a pauta ambiental em troca, de ou medidas de avanço ou medidas de não retrocesso em outras agendas, vai ser muito grande”, declarou. “A gente não pode deixar, o governo precisa se sentir apoiado nas negociações e constrangido, pressionado a não liberar, a não rifar essa agenda”.
O Observatório sustenta que, no atual mandato, o governo reconstruiu um cenário que a entidade descreve como de terra arrasada, com a entrega da menor taxa de desmatamento da história, quedas consecutivas na emissão de gases de efeito estufa e ampliação do combate aos crimes ambientais.
Angelo também destacou a retomada do protagonismo brasileiro nas negociações internacionais de clima e de proteção da biodiversidade. “Esse despertar do Lula para a agenda climática é uma coisa super importante e que eu acho que não tem mais volta, porque ele percebeu quão central isso é pro bem-estar das pessoas e quão central o Brasil é nessa agenda também”, afirmou. “Então mesmo com todas as contradições, eu acho que a gente vai ter uma perspectiva de continuidade, pelo menos do ponto de vista da política federal”.
A entidade defende a continuidade dessa trajetória com o objetivo de eliminar o desmatamento em todos os biomas. O Observatório reafirmou disposição para dialogar e colaborar com o governo reeleito, mas sinalizou que manterá cobranças, críticas e pressões quando julgar necessário. Para a organização, o Brasil deve tratar a questão climática e o patrimônio ambiental como oportunidades de impulsionar o crescimento econômico e reduzir as desigualdades sociais.
Análise WeekNews: A celebração do Observatório do Clima vem acompanhada de uma advertência explícita. O apoio à pauta ambiental no Executivo contrasta com a correlação de forças desfavorável no Legislativo, o que tende a tornar a negociação parlamentar o principal teste do novo mandato na área. A ênfase da entidade na continuidade da política federal sugere que as conquistas do período anterior são tratadas como base a ser defendida, e não como resultado garantido.
Fonte: Agência Brasil.
