
São Paulo recebe entre os dias 6 e 8 de novembro a primeira edição brasileira do AI Film Awards Brasil, festival que reúne 70 produções selecionadas realizadas, em algum grau, com ferramentas de inteligência artificial. A programação inclui títulos nacionais e internacionais, entre eles obras da Espanha, dos Estados Unidos, da China e da Coreia do Sul. A abertura fica a cargo do brasileiro “Submersivos”.
A participação em todos os painéis e na palestra é gratuita, com inscrições abertas pela plataforma do Itaú Cultural, parceiro do evento. Os debates serão realizados por meio da plataforma e-Teatro WeDo! e permanecerão disponíveis a partir de segunda-feira (9). Parte dos filmes ficará disponível em plataforma, segundo a organização.
A mostra propõe discutir temas como exclusão digital, mudanças no ambiente criativo e de negócios e o avanço de aspectos criativos proporcionado pelas tecnologias generativas, que, conforme o festival, permitem criação acessível a produtores independentes e iniciantes.
“Discutiremos processos, ética, direitos autorais e representatividade, com painelistas que irão de produtores e realizadores a pessoas que estão tentando entender e refletir sobre essas mudanças. É importante e rico ouvir todos os lados para pensar como usar a IA a favor de quem produz arte”, afirmou Carol Guimarães, diretora executiva do evento.
Ela defende que as ferramentas ajudam a viabilizar estéticas e olhares únicos. Com a redução de custos, segundo a diretora executiva, visões locais e de grupos minoritários podem circular com mais liberdade. “O festival entra muito neste espaço de chegar aonde não se chega”, disse.
Para Vitória Mantovani, cineasta que assina a curadoria e a direção-geral, o momento é de ampliação de alternativas. “Neste momento, alguns filmes começam a ver a luz do dia justamente por conseguirem usar essas ferramentas para diminuir custos, seja em processos, cenários ou mesmo na apresentação da ideia ao mercado. Ter mais alternativas é algo muito importante”, refletiu.
O AI Film Awards Brasil integra uma plataforma internacional presente em polos da indústria criativa como Cannes, Veneza, Dubai, Marrakech, Paris e Bali.
Análise WeekNews: A chegada do festival ao Brasil ocorre em um momento em que a inteligência artificial deixa de ser apenas tema de debate e passa a integrar a cadeia produtiva do audiovisual. A programação, ao reunir painéis sobre ética, direitos autorais e representatividade, indica que a discussão sobre essas ferramentas tende a acompanhar a própria exibição das obras, e não a ficar restrita a um público técnico. A gratuidade dos painéis e a disponibilização posterior dos debates ampliam o alcance dessa conversa para além dos três dias de mostra.
Fonte: Agência Brasil.
