
A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) elevou nesta quinta-feira (2) a projeção de crescimento das vendas de veículos novos no Brasil para 2026, de 6,1% para 8,6%. A revisão, anunciada em entrevista coletiva em São Paulo, considera o desempenho acima do esperado no primeiro semestre, quando o setor registrou expansão de 16,01% na comercialização de unidades. Com a nova estimativa, a entidade projeta que mais de 5,2 milhões de veículos – incluindo automóveis, comerciais leves, ônibus, caminhões, motos e implementos rodoviários – sejam emplacados até o fim do ano.
O presidente da Fenabrave, Arcélio Junior, atribuiu o aumento à surpreendente aceleração das vendas. “A gente teve um crescimento acima do esperado, acima da nossa previsão inicial e, diante disso, ontem nós ficamos à tarde aqui revisando e reanalisando [os dados]. Conversamos sobre cada segmento e agora estamos reavaliando nossas projeções”, afirmou.
No primeiro semestre, o setor como um todo comercializou 2.715.403 unidades, alta de 16,01% na comparação com o mesmo período de 2025. Segundo a Fenabrave, o programa federal Carro Sustentável, que reduz alíquotas do IPI para veículos mais leves e sustentáveis, foi um dos principais motores do crescimento. Também contribuíram a redução de preços estimulada pela concorrência e a expansão da rede de concessionárias, que hoje soma 8.401 filiadas.
Apenas no segmento de automóveis e comerciais leves (picapes e furgões), o crescimento foi de 20,11% em relação ao primeiro semestre do ano passado, com 1.359.107 unidades emplacadas. Para este ano, a projeção específica para automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus foi ajustada para alta de 7,9%, com expectativa de 2,7 milhões de unidades vendidas – bem acima dos 3,02% previstos inicialmente.
O segmento de motos também surpreendeu: entre janeiro e junho, foram emplacadas 1.174.459 unidades, alta de 14,10% frente ao mesmo período de 2025. A Fenabrave espera um recorde histórico para o ano, com crescimento de 10% e vendas superiores a 2,4 milhões de unidades.
Já os segmentos de ônibus e caminhões seguem em trajetória negativa. No acumulado do semestre, a queda foi de 9,09%, com 61.020 unidades comercializadas. Para o fechamento do ano, a projeção permanece negativa: recuo de 7,8% para caminhões e de 9,2% para ônibus. Apesar disso, o diretor executivo da Fenabrave, Marcelo Franciulli, destacou que junho trouxe sinais de recuperação nos caminhões, com crescimento de quase 15% em relação a maio e de 13,5% ante junho de 2025, impulsionado pelo programa Move Brasil.
O programa Move Brasil, que oferece juros reduzidos na troca de caminhões mais antigos, continua ativo, mas os recursos do Move 2 já se esgotaram. “A informação que a gente tem é que os recursos aportados no Move 2 já terminaram. Porém tem muitas operações que ainda não se converteram em emplacamentos em função da burocracia”, explicou Franciulli.
A revisão das projeções reflete, portanto, um cenário de recuperação desigual entre os segmentos, com automóveis, comerciais leves e motos puxando o crescimento, enquanto caminhões e ônibus ainda enfrentam dificuldades. A Fenabrave continuará monitorando os dados ao longo do segundo semestre para ajustar as estimativas conforme necessário.
Fonte: Agência Brasil.

