
Quase quatro em cada dez brasileiros (39%) nunca ouviram falar em economia circular, conceito que propõe reutilizar, recuperar e reinserir recursos no ciclo produtivo como alternativa ao modelo linear de descarte. Os dados são de uma pesquisa encomendada pelo Movimento Plástico Transforma ao Instituto QualiBest, divulgada neste domingo (5). O levantamento ouviu 834 pessoas a partir de 18 anos, entre 30 de abril e 8 de maio de 2026, e também compara os resultados com a primeira edição do estudo, realizada em 2025.
Embora 57% dos entrevistados afirmem já ter ouvido falar sobre economia circular, o conhecimento ainda é superficial. Apenas 12% disseram conhecer bem o tema, enquanto 45% declararam já ter ouvido falar, mas sem detalhes. Para Beatriz Geraldes, integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma, o dado revela um desafio importante: “Isso é um ponto que ainda precisa ser trabalhado, porque não adianta nada você conhecer se você não tem um aprofundamento do tema”.
Beatriz defende que escolas, governos, empresas e organizações sociais devem liderar iniciativas para ampliar o conhecimento sobre economia circular, especialmente entre crianças e adolescentes. “A gente entende que eles são os nossos principais vetores de comunicação com suas famílias, com a comunidade do entorno. Então isso é superimportante para poder fazê-los entender e para levarem esse exemplo para casa”, afirmou.
Apesar do desconhecimento sobre o conceito, a pesquisa mostra que 74% dos brasileiros estão dispostos a mudar hábitos de consumo para gerar menos resíduos. Apenas 3% disseram que talvez mudariam, e 23% afirmaram não ter disposição para essa mudança. A reciclagem é vista como responsabilidade compartilhada: 78% dos entrevistados atribuem o papel à população, 63% ao governo e 55% às empresas. Na comparação com 2025, a responsabilização da população cresceu três pontos percentuais, enquanto a cobrança sobre governo e empresas subiu quatro e seis pontos, respectivamente. Escolas foram citadas por 35%, ONGs por 30% e outros setores por 3%.
A logística reversa — prática de devolver ao fabricante um produto após o fim de seu ciclo para reinserção na cadeia produtiva — também foi abordada. Quase metade dos entrevistados (42%) já devolveu algum produto ao menos uma vez, sendo que 14% o fazem com frequência. O acesso à coleta seletiva é realidade para 55% das pessoas, seja em casa ou na rua. Entre os que separam os resíduos, 11% não os levam aos pontos de coleta: desse grupo, 63% entregam reciclável e orgânico juntos ao caminhão de coleta, e 36% entregam o material separado aos catadores.
A confiança no processo de reciclagem é alta: 54% dos brasileiros acreditam que os resíduos separados são efetivamente reciclados, enquanto apenas 6% não confiam. Marlene Treuk, gerente de pesquisa do Instituto QualiBest, avalia que os dados indicam uma transformação em curso. “Existe uma percepção clara sobre a importância da reciclagem e uma disposição crescente para adotar comportamentos mais sustentáveis”, afirmou.
A pesquisa foi encomendada pelo Movimento Plástico Transforma, iniciativa que reúne empresas e entidades do setor de plásticos para promover a economia circular. Os resultados completos estão disponíveis no site do instituto. A reportagem é da Agência Brasil, com edição de Denise Griesinger.
Fonte: Agência Brasil.
