
O dia 5 de julho, já marcado pela eliminação para a Itália de Paolo Rossi na Copa de 1982, ganhou um novo capítulo trágico para o torcedor brasileiro. Neste domingo (5), a seleção brasileira foi derrotada por 2 a 1 pela Noruega, em Nova Jersey (Estados Unidos), nas oitavas de final do Mundial de 2026, e deu adeus precoce ao sonho do hexa. O revés mantém dois incômodos tabus: há 24 anos o Brasil não supera um rival europeu em partida eliminatória de Copa — a última vez foi na final de 2002, contra a Alemanha — e a Noruega segue como o único país que a seleção nunca venceu na história, com três derrotas e dois empates no retrospecto.
Grande estrela do time escandinavo, Erling Haaland foi novamente o carrasco. Autor do gol da classificação norueguesa contra a Costa do Marfim na fase anterior, o centroavante balançou as redes duas vezes no segundo tempo e chegou a sete gols na Copa, igualando-se a Kylian Mbappé (França) e Lionel Messi (Argentina) na artilharia do Mundial. O Brasil, que criou inúmeras chances e pressionou, não conseguiu evitar a sexta eliminação consecutiva em fases eliminatórias de Copas.
Com a derrota, a seleção brasileira faz sua pior campanha em Mundiais desde 1990, quando também caiu nas oitavas de final para a Argentina de Diego Maradona. De 2002 para cá, o Brasil acumula 24 anos sem vencer um europeu em mata-matas — e, se não conquistar o título até 2030, completará 28 anos de jejum, o maior período sem o troféu desde a primeira conquista, em 1958, na Suécia.
O adversário da Noruega nas quartas de final será conhecido ainda neste domingo. A partir das 21h (horário de Brasília), México e Inglaterra se enfrentam no Estádio Azteca, na Cidade do México. Quem passar no confronto da capital mexicana encara a seleção nórdica no próximo sábado (11), às 18h, em Miami (Estados Unidos).
A partida em Nova Jersey foi marcada por um primeiro tempo equilibrado, com o Brasil tendo mais posse de bola, mas sem conseguir furar a defesa norueguesa. Na etapa final, Haaland mostrou sua eficiência: aos 15 minutos, aproveitou cruzamento da direita para abrir o placar de cabeça. O Brasil empatou pouco depois, em cobrança de falta bem executada, mas Haaland voltou a marcar aos 35 minutos, em jogada individual pela esquerda, definindo o resultado.
A eliminação precoce reacende o debate sobre a dificuldade da seleção brasileira em jogos decisivos contra europeus. Desde a conquista do penta, o Brasil enfrentou rivais do continente em oitavas, quartas ou semifinais e não conseguiu avançar — foram derrotas para França (2006), Holanda (2010 e 2014), Bélgica (2018) e Croácia (2022), além do revés para a Noruega agora.
A campanha brasileira na fase de grupos havia sido sólida, com vitórias sobre Sérvia e Camarões e um empate com a Suíça, mas o desempenho nas oitavas repetiu o padrão de desperdício de oportunidades e falhas defensivas em momentos críticos. O técnico, que não foi citado nominalmente no texto original, terá de lidar com as críticas e a pressão por resultados.
Para a Noruega, a classificação histórica mantém viva a chance de chegar longe no torneio. Haaland, artilheiro da Copa ao lado de Mbappé e Messi, é a grande esperança escandinava para o duelo das quartas, seja contra o México ou a Inglaterra. O jogo em Miami promete ser um teste de fogo para a equipe nórdica, que busca repetir o feito de 1998, quando chegou às oitavas, e agora almeja ir além.
Enquanto isso, o Brasil volta para casa mais cedo do que o esperado, com a missão de repensar o planejamento para o ciclo até 2030. A data de 5 de julho, que já doía pela lembrança de 1982, agora carrega também a marca da eliminação para a Noruega — e o fantasma de um jejum que só aumenta.
Fonte: Agência Brasil.
