Cabo-verdiana Mayra Andrade celebra campanha dos Tubarões Azuis: lição de humildade e resiliência




Cabo-verdiana Mayra Andrade celebra campanha dos Tubarões Azuis: lição de humildade e resiliência
Fonte da imagem: Agência Brasil


A cantora cabo-verdiana Mayra Andrade, um dos maiores nomes da música lusófona contemporânea, classificou a atuação da seleção de Cabo Verde na Copa do Mundo de 2026 como “um momento fundador da nossa identidade coletiva”. Em entrevista à TV Brasil e à Telesur na última segunda-feira (6), dois dias após a eliminação dos Tubarões Azuis, ela afirmou que a equipe deu “uma lição de humildade e de resiliência ao mundo”. Mayra estava no Hard Rock Stadium, em Miami, torcendo contra a Argentina, e vibrou com cada lance, desde as defesas do goleiro Josimar Dias, o Vozinha, de 40 anos, que ganhou milhões de seguidores nas redes sociais, até os dois gols marcados por Deroy Duarte e Sidny Cabral. Embora acreditasse que Cabo Verde poderia vencer os sul-americanos, ela não deixou o estádio triste com o resultado.

Para Mayra, a campanha foi inédita e emocionante. “Não sou uma adepta do futebol, mas sempre assisti à Copa do Mundo. Está sendo uma descoberta gigantesca perceber o que é torcermos por uma bandeira. Para nós, cabo-verdianos, isto é inédito”, disse. Ela destacou que os brasileiros, acostumados a participar de Copas, podem não compreender o sentimento que tomou conta do arquipélago de dez ilhas vulcânicas, localizado a 600 quilômetros da costa africana, e dos milhares de cabo-verdianos espalhados pelo mundo. Esse sentimento ficou visível na festa em que os jogadores foram recebidos ao chegar a Cabo Verde no domingo (5), dia em que se celebrava a independência nacional. “Você acha que existe alguma coincidência nisso? Acho que não. Está tudo escrito”, refletiu a cantora.

Cabo Verde - 08/07/2026 - Vozinha e companheiros da seleção de Cabo Verde, que fizeram sucesso na Copa do Mundo, são recebidos com festa em Praia, capital do país africano - Sodiq Adelakun /Reuters/ Proibida reprodução
Fonte da imagem: Agência Brasil

Mayra revelou que surpreendeu amigos com seu entusiasmo. “Vocês são um país de futebol e estão [acostumados] com este nível de competição há muitos anos”, disse, referindo-se ao Brasil. Para ela, a sensação de torcer por Cabo Verde foi “indescritível, hilariante, potente, comovente. Uma coisa irracional que toma posse da gente. E que contagiou aos torcedores de outras equipes”. Nos vestiários, ela brincou com os jogadores: “A gente levou a Copa do Coração. Somos o Às de Copa deste mundial”, referindo-se ao naipe do baralho que representa o amor e é ilustrado por um coração vermelho.

A cantora também refletiu sobre o efeito inesperado da campanha em sua vida. “Faz três anos que venho repostando [nas redes sociais] coisas que têm a ver com o genocídio, com a tremenda injustiça que está acontecendo no Oriente Médio, na Palestina. Esta foi a primeira vez que meu cérebro se desconectou deste caos. Hoje, acredito que a Copa também tem esta função de permitir uma rápida desconexão, um respiro, ainda que não possamos nos distrair totalmente das coisas fundamentais para a humanidade que estão acontecendo”, afirmou. Ela também apelou por solidariedade internacional ao povo venezuelano, atingido por sucessivos terremotos que mataram ao menos 3,6 mil pessoas e deixaram milhares de desaparecidos.

Mayra vê um paralelo entre o sucesso dos Tubarões Azuis e o alcance da música cabo-verdiana, representada por Cesária Évora (1941-2011), que expressa a força e o alcance da cultura nacional, marcada pelo sincretismo luso-africano. “Sinto um orgulho enorme de ser cabo-verdiana. Uma nação conhecida pela música, pelo trabalho de Cesária Évora, por sua cultura e, agora, por uma equipe de futebol”, disse. Ela acredita que seu “petit pays” (pequeno país, em francês) tem um papel importante a desempenhar: “Não o de ser o umbigo do mundo, mas pelo fato de sermos o primeiro povo criolo; o povo com uma das maiores diversidades genéticas do mundo, uma espécie de amostragem dos povos. Por isto, temos a responsabilidade de emanar coisas muito positivas”.

Em sua primeira participação em uma Copa do Mundo, Cabo Verde surpreendeu ao empatar com duas campeãs mundiais (Espanha e Uruguai), eliminar a Arábia Saudita e enfrentar de igual para igual a tricampeã Argentina, de Lionel Messi, em uma das partidas mais emocionantes do torneio. A equipe se despediu na fase de 16 avos de final, mas conquistou torcedores de outras nacionalidades. A entrevista completa de Mayra Andrade irá ao ar no programa Caminhos da Reportagem, que a TV Brasil exibirá na próxima segunda-feira (13), sobre o arquipélago e a inédita participação da seleção cabo-verdiana no Mundial.

Fonte: Agência Brasil.

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