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Dave Grohl sabe como criar um momento inesquecível. Quase uma década depois da última apresentação no festival Mad Cool, que celebra seu 10º aniversário em 2026, os Foo Fighters retornaram a Madri para um show que marcou a primeira vez da banda na capital espanhola desde a edição de 2017 do evento. Sinalizadores vermelhos explodiram do palco e de uma plataforma de observação no meio do campo, enquanto a fumaça tomava conta da arena lotada. “Ei!”, rugiu Grohl ao subir no palco. “Vocês estão prontos, porra?”
O que se seguiu foi uma abertura para a história. Em meio a uma onda de calor espanhola já bastante intensa, a banda de seis integrantes elevou ainda mais a temperatura. Quem mais poderia começar com uma versão agressiva de “All My Life”, uma febril “The Pretender” e um “Times Like These” tão avassalador que quase consegue apagar a memória da dolorosa versão beneficente do Live Lounge Allstars durante a pandemia? Já na segunda música, Grohl havia derramado sobre si o que parecia ser uma caneca de cerveja, com os cabelos emaranhados grudados no rosto enquanto gritava: “Tenho uma pergunta: vocês amam rock’n’roll?”
A resposta veio em alto e bom som. Grohl liderou o público em um canto a capella de “My Hero” e, mais tarde, acendeu as luzes sobre dezenas de milhares de fãs gritando a plenos pulmões em “Monkey Wrench”. O sinal era claro: o amor pelo rock segue inabalável. Tendo de alguma forma superado a trágica morte de Taylor Hawkins e deixado para trás o escândalo pessoal que momentaneamente arranhou sua imagem de “Cara Mais Legal do Rock™”, Grohl mostrou-se claramente em um estado de espírito reflexivo. “Estamos juntos há 30 anos”, disse ele. “31! Então vamos tocar o máximo que pudermos.”
Curiosamente, o set de duas horas não incluiu nenhuma faixa do novo álbum punk e desafiador da banda, “Your Favorite Toy”. Em vez disso, o grupo optou por homenagear seu legado com uma verdadeira garimpagem no catálogo antigo.
Grohl celebrou os clássicos “old school” como “Big Me” e “This Is a Call”, enquanto “The Sky Is a Neighborhood”, de 2017, foi recebida com tanto entusiasmo quanto os hits dos anos 1990 e início dos 2000. Ele então recuou ainda mais no tempo com uma arrepiante “Marigold”, originalmente lançada como faixa do Nirvana com Grohl nos vocais.
O momento foi um dos pontos altos do show, sublinhando a épica jornada musical que ele percorreu e seu status quase incomparável como sobrevivente do rock’n’roll.
Para realmente cravar o ponto, Grohl convidou cada membro da banda a executar uma faixa de seus grupos anteriores, ultra legais. O destaque dessa seção foi uma brutal “Manimal”, dos punks de Los Angeles dos anos 1970, os Germs, banda que contou com Pat Smear – a quem Grohl chamou, com razão, de “o filho da puta mais legal do planeta Terra”. Nem Hawkins foi esquecido: o vocalista dedicou “Aurora” ao baterista falecido, em uma homenagem emocionante.
Não foi por acaso que a versão de “No Son of Mine” daquela noite incluiu um trecho de “Ace of Spades”, do Motörhead. Foi um lembrete oportuno do lugar dos Foo Fighters no Monte Rushmore dos grandes nomes do rock’n’roll. “Muito obrigado pelos últimos 31 anos”, disse Grohl, ofegante, ao final do set épico. “Vocês tornaram nossas vidas muito bonitas.”
O repertório completo da noite incluiu: “All My Life”, “The Pretender”, “Times Like These”, “Rope”, “Stacked Actors”, “My Hero”, “Learn to Fly”, “These Days”, “Walk”, “This Is a Call”, “No Son of Mine” (com trecho de “Ace of Spades” do Motörhead), “Wheels”, “Marigold”, “Big Me”, “La Dee Da”, “Run”, um medley de “Invincible” / “Seven” / “One Headlight” / “Manimal” / “Tap Dancing in a Minefield”, “Monkey Wrench”, “Breakout”, “The Sky Is a Neighborhood”, “Aurora”, “Best of You” e “Exhausted”.
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Fonte: NME.
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2026-07-09 07:48:00

