
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou nesta terça-feira (14) que ainda há R$ 1,83 bilhão disponível para investidores e correntistas de instituições ligadas ao grupo Master que ainda não solicitaram o reembolso. O montante, que permanece sem correção pela inflação desde a liquidação dos bancos, pode ser resgatado pelo aplicativo oficial do FGC. A entidade alerta que, quanto mais tempo o beneficiário demora para pedir o pagamento, menor será o poder de compra do valor recebido.
O maior volume de pagamentos já foi realizado, mas milhares de pessoas ainda não retiraram os recursos. Nos bancos Master, Master de Investimento e Letsbank, o FGC já desembolsou R$ 40,03 bilhões, o equivalente a 98,54% do total previsto. Ainda restam cerca de R$ 590 milhões para serem retirados. Mais de 718 mil credores já receberam os valores, o que representa 93,72% do público estimado.
No banco Pleno, antigo Voiter, foram pagos R$ 4,5 bilhões, correspondentes a 93,93% do total esperado. Permanecem disponíveis aproximadamente R$ 290 milhões, enquanto cerca de 135 mil beneficiários já fizeram o resgate. Já no Will Bank, o FGC desembolsou R$ 5,75 bilhões, ou 94,69% do montante previsto. Ainda há cerca de R$ 950 milhões à espera dos clientes, e mais de 276 mil beneficiários já receberam os recursos.
As pessoas físicas podem solicitar o reembolso diretamente pelo aplicativo oficial do FGC. O fundo orienta os beneficiários a manterem as notificações do aplicativo ativadas, pois o sistema pode solicitar informações adicionais para concluir o pagamento.
O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada, sem fins lucrativos, criada para proteger clientes de instituições financeiras em caso de intervenção ou liquidação. Quando um banco quebra, o FGC reembolsa depósitos e determinados investimentos até o limite de R$ 250 mil por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), por instituição ou conglomerado financeiro. Existe ainda um teto global de R$ 1 milhão em indenizações por CPF ou CNPJ em um período de quatro anos. O objetivo é aumentar a segurança dos investidores e preservar a confiança no sistema financeiro.
A garantia do FGC cobre diversos produtos financeiros, entre eles: conta-corrente; conta-poupança; CDB e RDB; Letras de Crédito Imobiliário (LCI); Letras de Crédito do Agronegócio (LCA); Letras de Câmbio (LC); Letras Hipotecárias (LH); Letras de Crédito do Desenvolvimento (LCD); e operações compromissadas com títulos emitidos por instituições financeiras. Investimentos como ações, fundos de investimento, debêntures, Tesouro Direto e certificados de operações estruturadas (COEs) não são protegidos pelo FGC.
O FGC também divulgou um retrato da cobertura do sistema financeiro brasileiro. Em abril, os depósitos e investimentos elegíveis à garantia somavam R$ 5,58 trilhões. Considerando o limite máximo de cobertura por cliente, o valor efetivamente protegido era de R$ 2,684 trilhões. Ao fim de 2025, o patrimônio líquido do fundo estava em R$ 123,2 bilhões, uma queda de 12,25% em relação ao ano anterior, reflexo dos pagamentos realizados após a liquidação de instituições financeiras ligadas ao grupo Master.
O grupo Master foi alvo de intervenção do Banco Central, e a liquidação das instituições gerou um dos maiores processos de pagamento de garantias da história do FGC. A entidade reforça que os recursos continuam disponíveis e que os beneficiários devem buscar o resgate o quanto antes para evitar perdas com a inflação.
Fonte: Agência Brasil.
