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A cantora Alcione, uma das maiores vozes do samba brasileiro, ganha uma homenagem à altura de sua trajetória. A exposição gratuita “Com Amor, Alcione” está em cartaz no Museu das Favelas, em São Paulo, até o dia 6 de dezembro. Com mais de 650 itens do acervo pessoal da artista, a mostra já passou pelo Centro Cultural Vale Maranhão, em São Luís, e agora chega à capital paulista para contar a história da cantora como se fosse um álbum de família.
Nascida em São Luís, Alcione aprendeu a tocar instrumentos de sopro com o pai, que integrava uma banda militar. A mudança para o Rio de Janeiro no final dos anos 1960 marcou o início de uma carreira que a consagraria como a dama do samba. Sua voz grave e aveludada ecoa em clássicos como “Figa de Guiné”, “Não deixe o samba morrer” e “A loba”, canções que atravessam gerações.
O curador institucional Jairo Malta destaca que a exposição aborda temas como fé, carnaval e as identidades negra e nordestina, além da forte presença da migração na biografia de Alcione. “A Alcione é um retrato do Brasil, nesse sentido. De muita gente que saiu desses territórios — Norte e Nordeste — para tentar oportunidades em dois eixos onde estavam se construindo as grandes cidades. Então, ela faz essa dedicação a todas essas pessoas que cruzaram o Brasil para construir boa parte do Brasil”, afirma Malta. Ele completa: “A exposição mostra uma mulher negra, periférica, nordestina, que conseguiu fazer tudo isso de uma forma difícil, mas que alcançou”.
A carreira de Alcione é marcada por passagens na televisão, pela relação próxima com a Estação Primeira de Mangueira, por turnês nacionais e internacionais e por mais de 30 discos gravados. No ano passado, a cantora lançou um álbum de inéditas e segue na ativa, mostrando que não deixou o samba morrer.
Jairo Malta ressalta a importância de o Museu das Favelas homenagear artistas ainda em vida. “Reverenciar memórias vivas, memórias que ainda estão aqui, é de suma importância. Porque a gente consegue conversar com pessoas de todas as idades. Então, ter Alcione com a gente, além de todos esses temas: migração, negritude, periferia, favela e memória, é poder reverenciar também alguém que está do nosso lado, está fazendo muito sucesso, fazendo turnê e que ainda vai fazer mais história”, diz.
Desde a gravação do primeiro compacto, com as faixas “Figa de Guiné” e “O sonho acabou”, em 1972, já se passaram 54 anos. Aos 78 anos de vida, Alcione continua em turnê, mantendo viva a chama do samba. A exposição “Com Amor, Alcione” é uma oportunidade para o público conhecer de perto a trajetória de uma artista que é sinônimo de resistência e talento.
A mostra gratuita no Museu das Favelas fica em cartaz até 6 de dezembro, em São Paulo. O acervo inclui objetos pessoais, fotografias, figurinos e outros itens que ajudam a contar a história da cantora, desde a infância no Maranhão até o estrelato nacional e internacional.
Para quem deseja visitar, o Museu das Favelas está localizado na capital paulista. A entrada é gratuita, e a exposição promete emocionar fãs e admiradores do samba, celebrando a vida e a obra de uma das maiores artistas do Brasil.
Fonte: Agência Brasil.
