Justiça do Rio rejeita recurso de Dr. Jairinho que pedia anulação do júri do caso Henry Borel

Justiça do Rio rejeita recurso de Dr. Jairinho que pedia anulação do júri do caso Henry Borel
Fonte da imagem: Agência Brasil


O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) negou, nesta quinta-feira (16), o recurso apresentado pela defesa do ex-vereador Jairo Santos Souza Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, que solicitava a anulação do julgamento que o condenou a mais de 43 anos de prisão pela tortura e morte do enteado Henry Borel, de 4 anos. A decisão foi proferida pela segunda vice-presidente do TJRJ, desembargadora Maria Angélica Guerra Guedes.

O recurso contestava a decisão da 7ª Câmara Criminal do Rio, que em maio havia rejeitado o pedido para que o júri fosse transferido para outra cidade fora do município do Rio de Janeiro. A defesa argumentava que a ampla repercussão do caso na imprensa poderia influenciar a imparcialidade do Conselho de Sentença. Caso o recurso fosse aceito, um novo julgamento poderia ser realizado.

Ao negar o pedido, a desembargadora Maria Angélica Guerra Guedes afirmou que “a defesa não demonstrou elementos que comprovassem a ilegalidade da decisão anterior”. A decisão mantém a condenação imposta em junho deste ano, quando o Conselho de Sentença do 2º Tribunal do Júri do Rio condenou Dr. Jairinho a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte de Henry, ocorrida em 8 de março de 2021.

Na ocasião, Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe da criança e então companheira do ex-vereador, teve seu crime desclassificado de homicídio doloso (com intenção de matar) para homicídio culposo (sem intenção de matar) e recebeu o perdão judicial. Ela foi condenada a um ano e quatro meses de prisão pelo crime de omissão em relação à tortura sofrida pelo filho. Como Monique já havia cumprido o tempo de prisão preventiva, a pena foi considerada encerrada.

O julgamento, que durou 11 dias, é considerado o mais longo da história do Judiciário fluminense. À época do crime, Henry morava com a mãe e o padrasto.

Leniel Borel, pai de Henry e assistente de acusação ao lado do Ministério Público, comentou a decisão. “É mais uma decisão que reconhece que não existiam elementos concretos para retirar o julgamento do seu juízo natural. A ampla repercussão do Caso Henry é consequência da gravidade do que aconteceu com uma criança de apenas 4 anos. Continuarei acompanhando cada recurso com responsabilidade, firmeza e respeito às instituições. Minha luta é para que nenhuma manobra processual apague a verdade, a memória do meu filho e a necessidade de Justiça”, declarou.

Com a negativa do recurso, a defesa de Dr. Jairinho ainda pode recorrer a instâncias superiores. O caso segue gerando comoção e atenção da opinião pública, especialmente pela brutalidade do crime e pela longa batalha judicial.

Fonte: Agência Brasil.

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