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O projeto Cineclube Afrodite, criado em Alagoas em 2025, retoma sua programação neste segundo semestre com uma série de atividades gratuitas que incluem exibições de cinema, oficinas, debates e ações formativas em diferentes municípios do estado. A iniciativa, coordenada pela Dagô Produções, tem como foco a circulação de obras audiovisuais produzidas localmente e por realizadores negros, indígenas, mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, contribuindo para fortalecer o cinema independente e ampliar o acesso da população ao cinema brasileiro contemporâneo.
A abertura do projeto ocorre em alusão ao Julho das Pretas, movimento de valorização da mulher negra. A programação de estreia será dedicada ao tema e contará com o lançamento de duas obras inéditas de diretoras alagoanas. A sessão acontece no Cine Arte Pajuçara, localizado na Galeria Center Pajuçara, na Avenida Doutor Antônio Gouveia, na orla de Maceió, a partir das 18h.
Os filmes selecionados para a abertura são os curtas-metragens “Osún de Mão Dada Com Oyá”, da diretora estreante Sal Bernardo, e “Batuque das Ondas”, dirigido por Elizabeth Caldas e Manu Preta, que também faz sua estreia na direção. Ambos os curtas têm como eixo central a ancestralidade, a cultura afro-brasileira e o protagonismo de mulheres negras, temas que dialogam diretamente com a proposta do Cineclube Afrodite.
De acordo com a Dagô Produções, responsável pela coordenação das ações do projeto, após a sessão de estreia o Cineclube Afrodite seguirá em circulação por diferentes territórios de Alagoas. A iniciativa prevê a realização de sessões de cinema, rodas de conversa e atividades formativas em quilombos, casas de matriz africana e outros espaços comunitários, com o objetivo de ampliar o acesso ao audiovisual e fortalecer as narrativas negras no estado.
O projeto prioriza a exibição de obras produzidas em Alagoas e por realizadores que integram grupos historicamente marginalizados, como negros, indígenas, mulheres e pessoas LGBTQIAPN+. Essa escolha busca não apenas democratizar o acesso ao cinema, mas também valorizar a produção local e dar visibilidade a histórias e perspectivas frequentemente ausentes dos circuitos comerciais.
A programação gratuita do Cineclube Afrodite reforça o compromisso de levar cultura e formação para regiões que nem sempre contam com salas de cinema ou espaços dedicados ao audiovisual. Ao circular por comunidades tradicionais e periféricas, o projeto pretende criar pontes entre o público e o cinema brasileiro contemporâneo, estimulando o debate e a reflexão sobre temas como identidade, resistência e memória.
A iniciativa integra um esforço mais amplo de fortalecimento do audiovisual independente em Alagoas, estado que tem visto um crescimento na produção de curtas e documentários realizados por cineastas locais. Com o Cineclube Afrodite, a expectativa é que essas obras ganhem novos espectadores e que as comunidades atendidas possam não apenas assistir, mas também participar de processos formativos ligados à linguagem cinematográfica.
A Dagô Produções não divulgou o calendário completo de municípios que receberão o projeto ao longo do segundo semestre, mas informou que as ações seguirão até o final do ano, com novas datas e locais sendo anunciados conforme a programação avance. A proposta é que cada etapa inclua, além das exibições, momentos de troca entre realizadores e público, promovendo um diálogo direto sobre as obras e os temas abordados.
O Cineclube Afrodite se consolida, assim, como uma ferramenta de inclusão cultural e de valorização das narrativas negras no estado, ao mesmo tempo em que oferece uma alternativa de lazer e formação gratuita para comunidades que historicamente têm pouco acesso a equipamentos culturais.
Fonte: Agência Brasil.
