
O dólar comercial voltou a cair nesta terça-feira (21) e fechou no menor nível desde 15 de junho, cotado a R$ 5,073, uma queda de 0,31% no dia. O movimento foi impulsionado pela alta internacional do petróleo, que valorizou moedas de países exportadores da commodity, como o Brasil, e pelos juros domésticos elevados, que continuam atraindo fluxos de capital estrangeiro por meio de operações de carry trade.
A moeda americana acumula queda de 0,73% na semana, de 1,73% no mês e de 7,57% no ano, em um cenário de volatilidade limitada apesar das tensões geopolíticas envolvendo o conflito entre Estados Unidos e Irã e o anúncio de novas tarifas americanas sobre produtos canadenses. O real teve o segundo melhor desempenho entre as moedas emergentes no dia, atrás apenas do peso colombiano.
O petróleo avançou pela terceira sessão consecutiva, influenciado pelas tensões no Oriente Médio. O barril do Brent, referência para a Petrobras, subiu 2%, para US$ 91,01, enquanto o WTI, do Texas, fechou em alta de 2,25%, a US$ 84,34. Os preços seguem pressionados pelas ameaças do grupo rebelde Houthi à navegação no Estreito de Bab-el-Mandeb, na saída do Mar Vermelho, e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, na saída do Golfo Pérsico, que mantém elevado o prêmio de risco do produto.
A Bolsa de Valores brasileira (B3) encerrou o pregão praticamente estável, com o Ibovespa registrando leve queda de 0,03%, aos 173.325,65 pontos, após oscilar entre perdas e ganhos ao longo do dia. O giro financeiro foi de R$ 17,9 bilhões, bem abaixo da média diária registrada neste ano, indicando liquidez reduzida.
As ações da Petrobras, as mais negociadas do índice, acompanharam a valorização do petróleo e ajudaram a limitar as perdas do Ibovespa. Os papéis ordinários (com direito a voto em assembleias) subiram 1,43%, enquanto as ações preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos) valorizaram-se 1,24%.
O desempenho da Bolsa brasileira destoou do exterior. Em Nova York, os principais índices acionários fecharam em alta, impulsionados pelo setor de tecnologia, enquanto o mercado doméstico permaneceu pressionado pelas incertezas geopolíticas e pelo baixo volume de negócios.
A alta do petróleo melhora os termos de troca para o Brasil, que é exportador líquido da commodity, e favorece o real diante de outras divisas emergentes. Além disso, os juros domésticos elevados continuam atraindo operações de carry trade, que consistem na transferência de capitais financeiros de economias avançadas para o Brasil para aproveitar a diferença de taxas.
Apesar das novas incertezas envolvendo a guerra entre Estados Unidos e Irã e do anúncio de novas tarifas americanas sobre produtos canadenses, o mercado de câmbio mostrou volatilidade limitada ao longo da sessão, com o dólar mantendo trajetória de queda no acumulado do ano.
Fonte: Agência Brasil.
