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A Região Norte concentra o maior risco para crianças e adolescentes no Brasil diante da crise climática, com 42% dos municípios em situação de vulnerabilidade severa. Os dados fazem parte do painel Crianças e Meio Ambiente, lançado nesta quinta-feira pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que alerta para os impactos desiguais das mudanças climáticas sobre a população infantojuvenil.
De acordo com a plataforma, 333 municípios brasileiros — o equivalente a 6% do total — enfrentam vulnerabilidade severa em relação aos direitos das crianças no contexto da crise climática. Na Região Norte, o percentual salta para 42%, com destaque para os estados da Amazônia Legal, incluindo Mato Grosso e Maranhão. No outro extremo, apenas 108 cidades não registraram alta prioridade em nenhum dos 14 indicadores analisados, que vão da poluição do ar à falta de saneamento básico nas escolas.
O ambiente escolar é um dos pontos mais críticos. Em 71% dos municípios brasileiros, as escolas não contam com saneamento básico simultâneo — ou seja, água encanada, esgoto e coleta de lixo. Para Danilo Moura, especialista em mudanças climáticas do Unicef, a infância é uma fase de maior vulnerabilidade. “Se o ar, a água e a comida estão contaminados, o impacto sobre o corpo das crianças é pior. A infância é uma das etapas da vida em que a gente mais precisa de serviços. As crianças precisam de escola, passam uma parte significativa do tempo dentro de um espaço público. Elas estão meio que na linha de frente dos impactos”, afirmou.
A qualidade do ar é outro desafio preocupante. Ainda na Região Norte, 94% das cidades sofrem com altos níveis de partículas finas, associadas principalmente às queimadas. No entanto, o problema não se restringe à Amazônia. Danilo Moura ressalta que o estado de São Paulo, por exemplo, apresenta alguns dos piores indicadores de acesso a áreas verdes em escolas de todo o Brasil. “Embora no agregado você tenha uma concentração maior de vários dos desafios em municípios da região da Amazônia, você tem desafios importantes também em outras regiões do país”, disse.
No Sudeste, a poluição gerada pelo transporte e pela indústria afeta 72% da população infantil, devido à alta densidade urbana. A combinação de poluentes atmosféricos com a falta de infraestrutura básica agrava os riscos para crianças e adolescentes, que já são mais suscetíveis a problemas respiratórios e outras doenças relacionadas ao clima.
Além de diagnosticar a situação, o painel Crianças e Meio Ambiente oferece orientações para gestores municipais. A ferramenta reúne 50 recomendações focadas em adaptação climática e infraestrutura urbana, com o objetivo de mitigar os impactos da crise climática sobre a população infantojuvenil. As sugestões abrangem desde a melhoria do saneamento básico até a ampliação de áreas verdes nas escolas.
O lançamento da plataforma ocorre em um momento em que o Brasil enfrenta eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, como secas severas na Amazônia e ondas de calor no Sudeste. Para o Unicef, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas integradas que considerem as especificidades das crianças e adolescentes, especialmente nos territórios mais vulneráveis.
O painel está disponível para consulta pública e pode ser acessado por prefeitos, secretários municipais e demais gestores interessados em planejar ações de adaptação climática. A expectativa é que a ferramenta ajude a priorizar investimentos e a reduzir as desigualdades regionais na proteção dos direitos infantis diante das mudanças do clima.
Fonte: Agência Brasil.
