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A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) de 2026 terá um espaço dedicado à literatura indígena, com a participação de dois dos mais importantes escritores originários do Brasil: Daniel Munduruku e Jama Wapichana. Eles integram o Café Literário do evento, que ocorre no domingo, 26 de julho, às 11h, com o tema “Cosmologias da palavra: literatura como memória e futuro”. A proposta é refletir sobre como as narrativas indígenas atuam na transmissão de saberes, na preservação da memória e na construção de futuros, afirmando a palavra como instrumento de resistência cultural e identitária no mundo contemporâneo.
Daniel Munduruku, natural de São Paulo, é escritor, educador e ativista cultural, autor de mais de 60 livros. Ele é uma das principais referências da literatura indígena no Brasil, com atuação decisiva na valorização das narrativas originárias e na formação de novos leitores. Já Jama Wapichana, de Roraima, é escritor, músico e contador de histórias do povo Wapichana. Seu trabalho é voltado para a infância e juventude, valorizando as cosmologias e saberes de seu povo por meio da palavra escrita e da oralidade.
A saudação que abre o programa Viva Maria — “A’uwê, A’uwê, A’uwê!” —, que significa “povo verdadeiro” ou “gente de carne e osso” na língua do povo Xavante, foi usada para celebrar a presença indígena na Flip. A edição do programa, veiculada em 24 de julho de 2026, destacou a importância de levar a literatura indígena a um dos maiores eventos literários do país.
O Café Literário promete abordar a força da palavra como forma de resistência cultural e de afirmação de identidades. A partir das narrativas indígenas, a mesa vai explorar como a literatura pode ser um espaço de transmissão de saberes ancestrais e, ao mesmo tempo, uma ferramenta para projetar futuros possíveis. A ideia é conectar memória e inovação, mostrando que as cosmologias indígenas não são apenas relatos do passado, mas também visões de mundo que dialogam com questões contemporâneas.
Daniel Munduruku e Jama Wapichana são nomes consolidados na cena literária brasileira. Munduruku, além de escritor, é educador e ativista, com uma trajetória marcada pela defesa dos direitos indígenas e pela promoção da leitura. Já Wapichana, além de escritor, é músico e contador de histórias, e seu trabalho com a literatura infantil e juvenil tem sido fundamental para levar a cultura Wapichana a novas gerações.
A participação dos dois na Flip 2026 é um marco para a literatura indígena, que historicamente teve pouco espaço em grandes eventos literários. A presença deles no Café Literário reforça a tendência de ampliação da diversidade na programação da Flip, que nos últimos anos tem buscado incluir vozes originárias, negras e periféricas.
O evento será realizado no domingo, 26 de julho de 2026, às 11h, dentro da programação oficial da Flip. A expectativa é que a mesa atraia um público diverso, interessado em conhecer mais sobre as cosmologias indígenas e o papel da literatura na preservação cultural. A Flip 2026 ocorre em Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro, e reúne escritores, artistas e intelectuais de todo o mundo.
A presença de Daniel Munduruku e Jama Wapichana na Flip também dialoga com o crescimento do mercado editorial indígena no Brasil. Nos últimos anos, editoras independentes e grandes grupos têm publicado mais obras de autores indígenas, e a demanda por esses títulos tem aumentado, tanto nas escolas quanto entre leitores em geral. A literatura indígena, antes restrita a círculos acadêmicos e ativistas, ganha cada vez mais espaço nas livrarias e nas feiras literárias.
O programa Viva Maria, da Rádio Nacional, destacou a importância desse momento. A edição que anunciou a participação dos escritores na Flip foi ao ar em 24 de julho de 2026, com a saudação Xavante que abre o programa. A apresentadora celebrou a presença indígena na Flip e convidou os ouvintes a acompanharem o Café Literário.
Para quem quiser participar, o evento é aberto ao público, mas é recomendável chegar cedo, pois a tendência é de casa cheia. A Flip 2026 promete ser uma edição histórica, e a participação de Daniel Munduruku e Jama Wapichana é um dos pontos altos da programação. A literatura indígena, com sua força ancestral e sua capacidade de dialogar com o presente, mostra que a palavra é, de fato, um território de resistência e de futuro.
Fonte: Agência Brasil.
