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A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) começou nesta semana e segue até o próximo domingo na cidade histórica da Costa Verde fluminense, Patrimônio Mundial pela Unesco. Considerado um dos mais importantes eventos de incentivo à leitura do Brasil, o encontro reúne mesas literárias com escritores nacionais e internacionais, oficinas, apresentações artísticas e contação de histórias. A expectativa da organização é receber cerca de 35 mil pessoas ao longo dos dias de programação.
O programa principal da Flip é composto por 21 mesas literárias, que contam com autores de países como Ilhas Maurício, Ucrânia e Guatemala, segundo a curadora Rita Palmeira. Ela destaca a diversidade de temas que serão discutidos: família, especialmente a relação com os pais, luto, perda de alguém na família, feminicídio, feminismo, maternidade e questão racial. Entre os escritores de destaque que participam do evento estão Andrea del Fuego, Itamar Vieira Júnior e Milton Hatoum, imortal da Academia Brasileira de Letras.
A grande homenageada da edição de 2026 é a poeta Orides Fontela, que renovou o modernismo brasileiro e abriu caminho para a poesia contemporânea. A trajetória de Orides foi marcada por dificuldades financeiras ao longo de anos, que chegaram a deixá-la sem moradia. A curadora Rita Palmeira explica que a escolha busca trazer a obra da poeta de volta à cena e conquistar novos leitores. “Homenagear Orides é contribuir para que a obra dela volte à cena e ganhe novos leitores”, afirma.
Rita Palmeira também relaciona a homenagem ao bom momento vivido pela poesia brasileira. Ela cita o aumento de publicações, revistas de poesia, coleções, clubes de poesia e eventos dedicados ao gênero, como saraus, festivais e jornadas. “Dentro dessa produção poética contemporânea tem acho que um destaque especial a poesia escrita por mulheres”, acrescenta a curadora. Para ela, homenagear uma poeta adorada por outros poetas é também uma forma de valorizar os poetas brasileiros e, sobretudo, as poetas brasileiras da atualidade.
Além da programação principal, a Flip oferece uma vasta programação educativa por meio dos espaços Flipinha, FlipZona e FlipEduca. Esses espaços são voltados para crianças, jovens, educadores e a comunidade, com o objetivo de ampliar o acesso à literatura por meio de experiências interativas. Outras atividades incluem o Leitura na Praça, que promove a troca de livros, e o Flip+ Cinema na Praça, que dialoga literatura com a sétima arte, com exibição de filmes em espaços públicos.
A Flip é um projeto realizado pelo Ministério da Cultura e pela Associação Casa Azul. A primeira edição ocorreu em 2003, e o evento foi reconhecido como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial da Cidade de Paraty e do Estado do Rio de Janeiro. A edição deste ano deve receber cerca de 35 mil pessoas, segundo a organização.
A cidade de Paraty, localizada na Costa Verde do Rio de Janeiro, é conhecida por seu centro histórico preservado e pela combinação entre natureza e cultura. A Flip se consolida como um dos principais eventos literários do país, reunindo autores consagrados e novos talentos, além de promover o debate sobre temas relevantes da sociedade contemporânea.
Fonte: Agência Brasil.
